Justiça

Justiça (205)

Quinta, 19 Abril 2018 18:47

Omissão do MP

Escrito por

Houve inércia do Ministério Público do Estado do Pará  em denunciar o governador do Estado, Simão Jatene, e a Cerpasa? Foi injustificada a demora para ingressar com ação penal contra ele?

Com estes questionamentos, o promotor  Acenildo Botelho Pontes fez, ao Conselho Nacional do Ministério Público uma representação por inércia ou excesso de prazo contra o MP, ao qual ele pertence.

O pedido está na pauta da reunião do dia 24 do CNMP, em Brasília. Acenildo mostra que  um inquérito civil público instaurado em 2005 permanece ainda sem conclusão.

Segundo a denúncia, a Cervejaria Paraense teria pagado propina em troca do recebimento de benefícios fiscais do Estado, que são concedidos há muitos anos, mesmo com a plena implantação da empresa e apesar de ações executivas do Estado contra ela por sonegação de imposto e fraude.

Quarta, 18 Abril 2018 18:44

Gueiros na justiça

Escrito por

Vai ser realizada agora de manhã a audiência de instrução e julgamento do advogado Hélio Gueiros Neto, acusado de assassinar sua própria esposa, Renata Cardim. A defesa do neto do ex-governador Hélio Gueiros (1988/91)tentou suspender a sessão, alegando a suspeição da juíza Rubilene Silva Rosário, titular da 1ª vara do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da comarca de Belém, O desembargador Raimundo Holanda Reis, relator do pedido, o rejeitou.

Os advogados de Gueiros Neto acusaram a magistrada de dar tratamento desigual às partes, o que teria caracterizado quebra de imparcialidade, ao permitir que fosse contraditada, pelo assistente de acusação, a peça defensiva apresentada pelo réu.

Além disso, deferiu diligências solicitadas pelo assistente de acusação, quando do oferecimento da denúncia, não tendo aberto o mesmo prazo para que a acusação complementasse suas diligências. Alegaram ainda que a juíza admitiu médicos contratados pela defesa na condição de assistentes técnicos, mas entendeu que o profissional contratado pelo assistente de acusação deveria ser ouvido como perito.

Prova da parcialidade da julgadora seriam outras diligências que foram deferidas à parte acusatória e indeferida à defesa.  razão pela qual requer o conhecimento e acolhimento.

A juíza rejeitou o seu afastamento da ação, por não ter constatado qualquer das hipóteses apontadas como capazes de caracterizar vício de imparcialidade no processo.

O relator do recurso na câmara criminal do TJE também não encontro “fato ou comprovação alguma que demonstre pelo menos” a evidência da suspeição arguida, “já que tal parcialidade deveria ser demonstrada de forma objetiva, uma vez que as circunstâncias da suspeição são encontradas externamente ao processo e não em atos praticados dentro dos autos”.

Ressaltando que, “embora a maioria das hipóteses de suspeição não exija maiores considerações, podemos apontar, em todas elas, a existência de situação objetiva – isto é, fato bem delineado – ora a depender de outra”.Com essa decisão, a juíza pôde continuar a instruir o processo, na audiência de hoje.

 

Terça, 17 Abril 2018 18:42

Tucano na gaiola?

Escrito por

A transformação do senador tucano Aécio Neves em réu, por decisão unânime de uma turma do Supremo Tribunal Federal, é o melhor que poderia acontecer para todos. Ainda mais por ser decisão unânime. Até o novo réu da Operação lava-Jato vai ganhar – ao menos a oportunidade de provar que a sua mirabolante história é verdadeira, Tão verdadeira, quem sabe, como a da cegonha na origem do nascimento e de Papai Noel nos presentes natalinos.

Melhor, sobretudo, para o combate à corrupção entre os personagens de colarinho branco. A melhor ofensiva contra eles em toda história brasileira (em dimensão internacional importante) estava se desgastando porque só tinha um preso da elite política, embora de origem humilde: Lula.

Na última eleição, Aécio chegou bem perto de vencer Dilma Rousseff (vitoriosa graças à mais cara campanha eleitoral de todos os tempos) e assim impedir a continuidade – agravada – da sua desastrosa gestão. Foi um mal, porém daqueles que acabam por trazer o bem, escrevendo certo por linhas tortas.

Com o mandato de presidente, o ex-governador mineiro estaria mais protegido do alcance da investigação da L-J. Agora, a cúpula do PSDB na mira da força-tarefa sairá do seu abrigo e terá que combater em campo aberto.

O povo quer a verdade. Para alcançá-la, uma máxima popular vem a calhar: quem for podre que se quebre.

Segunda, 16 Abril 2018 18:35

Democracia sem risco

Escrito por

Frases de Moro no mesmo evento:

–Vou ser claro: a democracia não está em risco no Brasil. Absolutamente não. O que está acontecendo é a luta pelo Estado de Direito. Ao final, teremos uma democracia mais forte, e uma economia ainda mais forte.

– Há dois jeitos de encarar a situação do Brasil neste momento: uma, com vergonha. Outra, com orgulho. Há alguma razão para estarmos orgulhosos, não de um juiz ou de alguns procuradores, mas do povo brasileiro como um todo, que realizou protestos contra a corrupção nos últimos anos.

– Alguns acordos de delação premiada firmados no decorrer da Lava Jato foram muito leves, mas eram a alternativa possível diante do histórico de impunidade em casos de corrupção.

– É preciso levar em conta as condições de negociação dos procuradores. Concordo que alguns acordos poderiam ter sido mais duros, mas às vezes é difícil.

– O foro privilegiado precisa acabar, inclusive para juízes. É preciso aprovar uma emenda constitucional para acabar com essa ferramenta, que é um escudo contra a responsabilização.

Segunda, 16 Abril 2018 18:34

Brasil está mudando

Escrito por

Algumas das principais afirmativas feitas hoje pelo ministro Luis Roberto Barroso, em palestra no congresso anual organizado por alunos e ex-alunos brasileiros da Escola de Direito de Harvard. Participam também do evento os juízes federais Sérgio Moro e Marcelo Bretas, responsáveis pela Lava Jato em Curitiba e Rio de Janeiro, e a procuradora-geral da república, Raquel Dodge.

–Nós estávamos viciados com o jeito de fazer negócios e política, que era muito corrupto, mas estamos no processo de perceber a gravidade do problema e começar a fazer a desintoxicação para nos livrarmos do problema.

– Estamos aprendendo com grande dificuldade a criar novas formas de fazer política e negócios no Brasil.

– O velho tem que sair e o novo ainda esta crescendo.

– Apesar de termos feito muito progresso, ainda não mudaram as causas da corrupção no Brasil, num sistema político que ainda privilegia a distribuição de favores.

– Percebemos que a corrupção no Brasil não é causada por falhas individuais. É um sistema corrupto de coleção e redistribuição de recursos. Há um pacto oligárquico que envolve empresas privadas, estatais e líderes políticos, para saquear o Estado. Mas a sociedade civil pressiona contra.

– Provavelmente nenhum país do mundo teve a coragem de expor um problema maior como esse para enfrentá-lo. O que é novo no Brasil é a reação da sociedade civil. As pessoas não estão mais aceitando o que era inaceitável.

– Minha percepção é que a sociedade civil está pressionando as instituições e temos que corresponder à sociedade civil.

– Há pessoas representantes da velha ordem que querem manter as coisas como sempre foram. Elas são muito poderosas e estão presentes nas altas esferas do governo e na imprensa.

– É uma batalha contínua e a velha ordem tem muitos grupos tentando manter as coisas como sempre foram. As pessoas não querem ser punidas pelas várias coisas erradas que fizeram por tantos anos porque tinham certezas de que não seriam punidas.

– O país mudou, o trem saiu da estação e a semente foi plantada. Estou muito convencido que nada será como antes no Brasil.

– Essa é uma batalha que ganharemos por pontos e não por nocaute. É preciso perseverança.

– Para se combater a corrupção é necessário criar instituições inclusivas no Brasil. No momento há uma conjuntura crítica com uma horrível tempestade ética, política e econômica. Mas estamos na iminência de uma profunda revolução pacífica no Brasil no campo da ética.

– Não devemos pensar que vamos mudar o Brasil com leis criminais e punição. Essa é apenas parte da solução.

– O Brasil precisa desesperadamente de uma reforma política que pode reduzir os custos eleitorais. Os pontos negativos a combater são os atuais sistemas político, eleitoral e partidário.

– A eleição para a Câmara dos Deputados custa quatro a cinco vezes a quantidade que o deputado poderá receber legitimamente nos quatro anos como parlamentar, Esse vácuo entre o custo e o quanto ele pode receber faz com que o representante busque essa quantia em algum outro lugar. Aí que o problema começa.

– É um retrocesso o sistema de lista aberta em que o eleitor vota em quem quiser, mas elege alguém que não sabe quem é porque o voto vai ao partido. 10% dos membros do Congresso são eleitos com seus próprios votos e 90% são eleitos pelos votos do partido.

– O votante não sabe quem está elegendo e o parlamentar não sabe quem o elegeu.

– Não é necessário uma nova Constituição para resolver os problemas atuais do país. Não é o tempo, não é conveniente, A carta atual não é a ideal, mas foi muito bem sucedida em tirar o Brasil de um regime autoritário.

– Trinta anos de estabilidade institucional é uma conquista que devemos celebrar. O Brasil enfrentou vários desafios desde 1988, como mensalão, petrolão, lava jato, dois impeachments e, ainda assim, ninguém cogitou, até agora, qualquer solução que não fosse por vias constitucionais.

– A estabilidade fiscal não tem ideologia de esquerda ou de direita. A irresponsabilidade fiscal é sempre prejudicial aos pobres. Essa é uma lição que ainda estamos aprendendo.

– É importante ascensão social dos últimos anos e a saída de milhares de brasileiros da extrema pobreza. Eu sou muito otimista com as coisas que têm acontecido no Brasil.

– É positiva a proteção que minorias encontraram no judiciário para a defesa de seus direitos. O casamento gay (hoje legal no país) era impensável 30 anos atrás. A demarcação de terras indígenas também significa proteção ao meio ambiente porque elas não são desmatadas.

– Não há perigo de golpe militar nem nada do gênero.

– Aprendemos nossa lição e eles aprenderam a lição deles.

– A ditadura militar é um fantasmas do qual nos livramos.

Quinta, 12 Abril 2018 18:07

Gilmar continua atacando

Escrito por

O ministro Gilmar Mendes, como ontem ficou claro, deixou de lado o julgamento de recursos submetidos ao Supremo Tribunal Federal para usar sua bancada como tribuna política, a partir da qual vale tudo. Nada mais o detém na execução de um propósito que nada tem a ver com o desempenho do seu ofício judicante.

Para espanto geral, Gilmar afirmou que o advogado de Antônio Palocci, Roberto Batochio,  o procurou para lhe comunicar que estava deixando a representação do ex-ministro da Fazenda no habeas corpus que estava sob exame do plenário.

Batochio, ex-presidente da OAB nacional, era uma exigência da força-tarefa da Operação Lava-Jato para haver negociação de uma colaboração premiada. Ao questionar a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, Gilmar lhe indagou se o propósito é criar um Estado policial, “empoderar essa gente que está totalmente empoderada?”.

Prosseguindo, Gilmar Mendes citou o caso do  advogado do marqueteiro João Santana, Rodrigo Castor de Mattos, irmão do procurador Diogo Castor de Mattos, integrante da Lava Jato. Segundo o ministro, o advogado exigiu que vários processos passassem pelo seu escritório . Depois que o caso se tornou público, a atuação do advogado passou a ser clandestina. “A corrupção já entrou na Lava Jato, na Procuradoria. Alguém tem dúvida?” gritou Mendes, .

Ele também relembrou a reviravolta na delação da JBS após a descoberta de um jogo duplo do ex-procurador Marcelo Miller nas negociações da delação da J&F. Novas gravações, entregues depois da celebração do acordo, indicaram que Miller teria orientado Joesley e seu grupo nas tratativas com a Procuradoria Geral da República sobre o acordo de colaboração.

Joesley diz que pretendia usar Miller como intermediário para chegar ao procurador-geral da República. Após sair da PGR, Miller foi trabalhar como advogado no escritório Trench, Rossi e Watanabe, o mesmo que representava o grupo J&F na negociação do acordo de leniência, participando das articulações iniciais.

Para Gilmar  a “dupla carioca” estava operando articulada dentro da procuradoria era formada por Miller e a advogada Fernanda Tórtima, que atuou para a JBS. “É um caso de corrupção que tem que ser investigado e tem que ser dito. Vamos fechando o sistema e empoderando esse nicho”, continuou.

O ministro Sr declarou impressionado por Miller ter recebido indenização pelo “trampo no escritório”, lembrando que o ministro Edson Fachin negou pedido de prisão preventiva dele, sem haver recurso da PGR.

Para Gilmar, a prisão do banqueiro André Esteves, do BTG-Pactual, delatado pelo ex-senador Delcídio do Amaral, foi um “vexame” para o Supremo. “Era mentira e ficou preso em Bangu”, condoeu-se. Esteves nunca mais foi importunado, como não foi Eike Batista.

A partir daí, o ministro passou a atacar ainda juízes de primeira instância. Citou o pagamento de auxílio-moradia ao juiz Marcelo Bretas, da Lava Jato no Rio de Janeiro, pelo recebimento de auxílio moradia, porque sua esposa também é magistrada.

Apoplético, alertou seus pares para que evitassem as idas e vindas dos habeas corpus e a decretação de novas prisões com praticamente os mesmo fatos, só para evitar a denegação da ordem. Acusou as prisões preventivas decretas pelo juiz Sergio Moro, de estarem se transformando em definitivas. “Além do direito penal de Curitiba, que se crie a constituição de Curitiba. É isso que estamos fazendo”, ironizou, feroz.

Gilmar Mendes perdeu a seriedade, a compostura, o pudor e a preocupação de preservar pelo menos as aparências. Ao tumultuar as sessões do Supremo e partir para agressões e acusações, quer acabar com a Lava-Jato e a prisão dos ladrões de colarinho branco. Ainda assim, tudo que disse precisa ser imediatamente apurado e os resultados da investigação comunicados à sociedade. Para que Gilmar Mendes seja desmascarado. Ou restaure-se a moral ou todos nos locupletemos, como dizia vovó Zulmira, criação imortal de Stanislaw Ponte Preta, que tanta falta nos faz

Quinta, 12 Abril 2018 18:06

“Adoecimento”

Escrito por

A força-tarefa de investigações da Operação Lava-Jato conta com promotores de justiça, delegados, peritos e várias outras categorias técnicas. É de cautela que junte a eles um novo integrante: médicos. Todo personagem está adoecendo quando a apuração começa a bater às suas portas. A mais recente vítima, de hoje, foi o senador Aécio Neves, do PSDB. Ele foi hospitalizado durante algumas horas. O MPF podia logo mandar periciá-lo.

Quinta, 12 Abril 2018 17:49

As visitas de Lula

Escrito por

Uma observação que faço “a voo de pássaro”, como se dizia antigamente. Sem querer chegar a qualquer conclusão, apenas observando um fato que me atraiu a atenção.

O ex-presidente Lula, que era, até a semana passada, um homem muito ocupado (com tantas palestras, viagens internacionais, assuntos de Estado e caravanas da cidadania tinha a cumprir), encontrava tempo para atividades de negócios particulares, sobretudo os patrimoniais, em particular a aquisição de imóveis, em benefício da sua família.

Com interesse em negócios potenciais, ele era um cliente exigente e um comprador rigoroso, modelo para quem quer subir na vida dignificado pelo trabalho.

Com a esposa, ele foi ver pessoal e meticulosamente o apartamento no Guarujá, no litoral de São Paulo. Olhou, olhou e, apesar da onerosa transformação do tipo padrão em tríplex, não se interessou pelo imóvel, passando a ignorá-lo., Só não pôde desmentir tudo porque, desta vez, para sua infelicidade, alguém teve a cautela de gravar o vídeo da visita-inspeção-do-cliente-que-não-se-tornou-dono.

Atento à vida que iria ter depois de deixar o cargo público mais importante do país, Lula foi ver o terreno na zona sul da capital paulista oferecido para acolher a sede do já notório Instituto Lula. Também não se interessou e eliminou o item da sua movimentada agenda.

Com a família, foi por diversas vezes ao sítio de Atibaia, só para relaxar e se isolar dos conspiradores que o perseguem – por maldade, inveja, ódio e a doença infantil do direitismo, a “reacionaridade” (mais um neologismo para a verborragia geral das elites). Não se deu conta das caras melhorias feitas no local por OAS e Odebrecht em benefício dos donos do imóvel, pessoas anônimas e de posses limitadas.

Como são bondosas as empreiteiras brasileiras, que formaram um cartel, batizado de “clube dos 13”, apenas para beneficiar a Petrobrás e o Brasil.

Quinta, 12 Abril 2018 17:46

Avança processo contra Gueiros

Escrito por

Dou passagem à manifestação de ontem do advogado e ex-vice-governador Hélio Gueiros Filho, feita a propósito da audiência do processo contra seu filho. Hélio Gueiros Neto é acusado de assassinar sua esposa, Renata Cardim. O pai diz que o processo tem graves vícios, dos quais volta a tratar, além de sofrer influência política, referindo-se ao deputado federal Nilson Pinto, do PSDB. Por enquanto, nada comentarei sobre os argumentos do filho do ex-governador Hélio Gueiros (mantendo o espaço aberto para a família da vítima, que tem preferido não se manifestar).

Apenas lembro que a promotora Rosana Cordovil, que não acusou Gueiros Neto, é a mesma que denunciou Michel Miranda de assassinar João Pinto Rodrigues por um crime inédito nos anais criminológicos: o assassinato por overdose de encomenda. Depois disso, a promotora se aposentou do Ministério Público do Estado.

Faltam exatos 6 dias para a se realizar a audiência na Ação em que meu filho é acusado de Feminicído, perante a 1ª Vara Penal do Tribunal do Júri da Capital, pelo nobre promotor Edson Cardozo de Souza, fundamentado no parecer do ilustre legista do caso Habib’s, assistente técnico contratado e pago pela senhora Socorro Cardim, acusada pela polícia e pelo senhor Paulo de Lima de ser a mandante do assassinato de seu irmão Jose Maria de Lima, de quem herdou o negócio de distribuição de remédios e vem sendo processada na Vara Empresarial de Marabá por fraudes em licitações junto a Prefeituras daquela região.

Uma coisa chama atenção em todo esse processo, desde a fase do inquérito criminal: há a ausência quase total da observância das leis processuais penais. O delegado Rolo, que presidiu o inquérito, baseado no depoimento da senhora Socorro Cardim, mãe da Renata, que disse ser a filha dela muito jovem para morrer, solicitou a exumação do cadáver a partir de três mentiras: que não foi feito a necropsia pelo Instituto Médico Legal, que a Renata era menor de idade e solteira.

Apesar dos documentos acostados aos autos desmentirem essas assertivas, Ministério Público e Juiz autorizaram a exumação, sem – é claro – a notificação do meu filho, que só foi saber da existência do parecer do legista do caso Habib’, encerrado o inquérito, no dia de seu indiciamento.

Inquérito enviado à 1ª Vara Penal, a promotora Rosana Cordovil, depois de muito analisar, expressou-se contra o oferecimento da denúncia por não haver crime, o que levou a nobre juíza, doutora Rubilene da Silva do Rosário, ao não aceitar a manifestação, ameaçá-la com processo administrativo junto ao Procurador de Justiça.

A Doutora Rosana Cordovil deixou a ação, sendo substituída pelo nobre promotor Edson Cardoso de Souza, que, num piscar de olhos, afastou os dois laudos do IML, por serem no seu entender “inconclusos” e, satisfeitíssimo com o parecer de asfixia mecânica do legista do caso Habib’s, ofereceu denúncia contra meu filho.

Toda essa conversa mole é para mostrar para vocês que, o nobre promotor Edson Cardoso de Souza, por requerimento, e a nobre doutora Rubilena Silva do Rosário, ex officio, deveriam, antes de ter marcado a audiência, mesmo que não levassem depois em consideração, ter determinado uma nova necropsia da Renata, senão para esclarecer o que eles consideraram inconclusos nos dois laudos, responder à asfixia mecânica do parecer do legista do caso Habib’s e, principalmente, dar o direito a meu filho de, como deram à senhora Socorro Cardim, ter um assistente técnico na realização da necropsia. Isso se nós estivéssemos vivendo em uma democracia e o devido processo legal fosse respeitado.

Meu Deus! Nem na ditadura o processo penal era tão maltratado tratado dessa maneira. Todos os atos não terem publicidade ainda vá lá, mas nem o direito de acompanhar uma perícia através de um médico assistente indicado pelo meu filho é demais.

Eu insisto. Gostaria de saber por que o meu filho não tem reconhecido nem os direitos mais comezinhos, que são reconhecidos a quem realmente infringe a lei. O nobre promotor Edson Cardoso de Souza, a televisão e o jornal Liberal, o deputado federal Nilson Pinto, do PSDB, amigo pessoal da senhora Socorro Cardim a ponto de receber R$ 100 mil para sua campanha, tão empenhados em condenar o meu filho, poderiam fazer o favor de me responder. Eu agradeceria.

Quarta, 11 Abril 2018 17:41

O inimigo da democracia

Escrito por

Um dos maiores inimigos da democracia no Brasil atual fez do seu assento no plenário do Supremo Tribunal Federal uma tribuna política: o ministro Gilmar Mendes É um inimigo perigoso: inteligente, preparado, audacioso e sem limites, quaisquer.

Ele acaba de se manifestar favoravelmente ao acolhimento do habeas corpus em favor do ex-ministro e ex-deputado Antonio Palocci. O placar neste momento é de 5 a 3. O quarto voto pela soltura de Palocci vai ser dado pelo seu colega de empreitada, Marco Aurélio Mello, que já previu: a votação terminará empatada em 5 a 5. A presidente, Cármen Lúcia, dará o voto de minerva pela negação do “remédio heroico”.

Atropelando e insultando seus pares, Gilmar Mendes já declarou a morte da mais alta corte da justiça brasileira se esse vaticínio se confirmar. Com toda razão, ele diz que a origem e a plenitude da razão de ser do STF está no HC, que deu origem a uma doutrina brasileira sobre a matéria, eixo do constitucionalismo republicano nacional.

No entanto, o ministro falseia o contexto histórico. O Su´premo se agigantou contra o militarismo, que está na origem da república, responsável por sua existência e, também, pela sua deformação de origem.

Gerações de militares, que avançaram sobre o poder civil desde então, arremataram seus projetos bonapartistas, de jovens turcos e nasseristas, dentre outras matrizes, com o golpe de Estado de 1964. Liberando os inquisidores, processaram, colocaram no xadrez, proibiram de se sustentarem e de manterem suas famílias os integrantes da geração que cresceu à luz da redemocratização de 1946.

Uma parte dos seus integrantes caminhou para a esquerda e para o transbordo no socialismo. A outra para a direita, eternas vivandeiras dos quartéis, a tentar seduzir os soldados em seus bivaques (ma expressão auto-irônica do marechal Castelo Branco, o primeiro e o melhor dos presidentes da caserna) para a aventura do golpe, que levaria a UDN, sem votos populares suficientes, a assumir o poder, como a mais bem preparada elite nacional.

De um e de outro lado surgiram figuras referenciais, algumas das quais ocuparam cadeiras do STF. Nessa posição, reagiram às violências dos justiceiros pelas próprias mãos no início da caça às bruxas, o nome maldoso dado a alguns dos mais brilhantes brasileiros do seu tempo.

Para só me referir a um caso (do qual tratei no Jornal Pessoal que está nas bancas), cito o do escritor e jornalista Carlos Heitor Cony. Processado pelo ministro da Guerra (e futuro presidente), marechal Costa e Silva, em sua defesa foi bater às portas do Supremo o advogado Nelson Hungria, que fora ministro da corte e continuava a ser um dos maiores criminalistas do país. Cony foi absolvido.

Como ele, dezenas de políticos, intelectuais, religiosos, militares e outros personagens da história, vilipendiados em processos sumaríssimos, e levados à guilhotina nos tristemente famosos IPMs (os inquéritos policiais militares). O Supremo deu um basta (embora efêmero diante da violência em crescimento). Suas sessões constituem um dos momentos de mais alta dignidade humana e saber jurídico do Brasil.

Esse patrimônio não integra as sessões do STF dos nossos dias, apesar da interpretação deturpada do ministro Gilmar Mendes. Ele pesca bolhas de juridicidade com as quais sopra imensas nuvens de maldades e insinuações, transformando em verdades o que não passa de especulação e trazendo para o plenário a sujeira das ruas em disputa apaixonada. Os autos dos processos que se lixem.

O ministro agride com palavras duras a verdade dos fatos e os que barram o caminho que quer seguir. Alegando a defesa do direito e do primado da justiça, quer devolver o Brasil à impunidade dos mais iguais”, quaisquer que eles sejam, do PT ou do PSDB, da empresa x ou da empresa y, desde que sejam os “mais iguais” da sociedade.

Tomara que a história o atropele.