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Polícia (75)

Quarta, 24 Abril 2019 10:56

Blitz contra homicídios

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Apesar das estatísticas oficiais sobre a redução soa índices de homicídios no Pará, o jornal do governador continua a publicar registros diários (com as fotografias sensacionalistas de sempre dos cadáveres) de mortes violentas na capital e no interior. As execuções são consumadas em todos os pontos da cidade, de manhã e de tarde e não mais apenas à noite. Os assassinos atacam as vítimas sem se importar com as câmeras de rua ou as testemunhas vivas. Mais do que banalizados, os assassinatos se tornaram triviais.

É preciso impor respeito e medo aos criminosos para conseguir a redução real das mortes. Minha sugestão para o governo é a criação de uma força-tarefa contra homicídios. Seus integrantes ficariam a postos, 24 horas por dia, na divisão de homicídios, em turnos de oito horas por equipe (talvez com 10 integrantes), mais uma retaguarda (de 20 policiais) de sobreaviso para entrar em ação imediatamente.

Seriam policiais muito bem treinados para ação de ruas, como atiradores de elite, com todo aparato necessário para intimidar pistoleiros e grupos de bandidos, tanto em número de policiais quanto de viaturas e armas. Essa equipe de plantão e sua retaguarda seriam acionadas a cada novo homicídio, passando a agir ininterruptamente até a prisão dos criminosos.. Enquanto a equipe de plantão permanecer nas ruas, um novo plantão seria formado tantas vezes quantos assassinatos fossem registrados.

Em todos os casos de mortes violentas, o Estado daria pronta resposta, garantindo um ambiente de segurança para os cidadãos e combatendo com rigor os bandidos.

Sábado, 20 Abril 2019 17:40

Um dia qualquer

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Um pouco antes da cinco da tarde de ontem, um homem desceu de um automóvel Civic preto, todo peliculado, deu alguns passos na direção de um rapaz, que caminhava com a mulher por uma das ruas laterais do igarapé do Una, na ponte do Galo, no Telégrafo, deu-lhe nove tiros de pistola ,40, voltou para o carro e foi embora. Ninguém viu nada.

Marco Antônio Victor Soares, de 20 anos, morreu na hora. Ele acabara de sair da penitenciária, depois de cumprir condenação por tráfico de drogas. O pai disse que ele vinha recebendo ameaças de morte. Vizinhos comentaram que, apesar de novo, Marco traficava drogas na Pedreira havia muito tempo. Ao tráfico voltou depois de ganhar a liberdade. Agora por pouco tempo. Saiu do crime pela porta cada vez mais usada: a da execução sumária, sem possibilidade de fuga, sabe-se lá por qual das muitas organizações e pessoas dedicadas ao ofício da morte.

Cena do cotidiano de Belém.

Quarta, 10 Abril 2019 11:23

Contrato prolongado

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A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social foi autorizada a prorrogar por mais 12 meses o contrato para a “realização das ações do Centro Integrado de Operações”, o CIOP. Também poderá reajustar o valor do contrato, que era de 672 mil, para 716 mil reais. O objeto da contratação foi "a implantação de um Sistema de Gestão de Ocorrências para a modernização do CIOP contemplando a disponibilização de licenças de uso de software, bem como serviços de implantação, treinamento, operação assistida, suporte e garantia da respectiva tecnologia". 

Este foi o 2º termo aditivo. O primeiro, ao que parece, foi de 2017. O contrato original, porém, é de 2014. Não deveria se encerrar em 2019, dentro do prazo de cinco anos, quando se torna necessário realizar concorrência para um novo contrato? Como, então, a Segup foi autorizada a prolongá-lo até 2020?  E qual o fundamento para ser uma exceção na orientação geral do governo de reduzir os gastos em 20%?

Terça, 02 Abril 2019 12:44

Crime milionário

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A polícia está desvendando e prendendo os autores de um assalto milionário praticado em Belém, em janeiro deste ano. Hoje, a imprensa divulga as últimas informações liberadas sobre a prisão de três dos sete membros da quadrilha, todos eles apresentados com seus nomes completos e alguns, os que foram presos ontem, mais dois ainda foragidos, com suas fotografias.

Foram omitidos os nomes da família assaltada em sua residência, num condomínio de luxo na rodovia Mário Covas, em Ananindeua, durante a madrugada. O Liberal ainda forneceu uma pista; trata-se de “uma família de empresários, proprietários de uma rede de motéis”. No Diário do Pará, a omissão a respeito foi total.

No entanto, além de joias e 13 mil reais em moeda nacional, os assaltantes levaram 200 mil dólares. A existência dessa quantia em moeda estrangeira constitui crime. Assim, os empresários, vítimas de uma violência terrível, ao terem sua moradia invadida e serem mantidos como reféns, também praticavam um crime. Por que os dois jornais sonegaram dos seus leitores os nomes desses empresários?

Terça, 02 Abril 2019 12:20

Polícia e policial

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O Corregedor Geral da Polícia Civil, Raimundo Benassuly Maues Junior, determinou o sobrestamento dos autos da investigação destinada a apurar o baleamento e morte de duas crianças e o óbito de Joel Gomes da Silva. Os autos deverão ser devolvidos ao presidente do procedimento, autor do pedido, “até decisão judicial”. Os processos – administrativo e judicial – começaram em 2015.

Será que a própria autoridade não poderia continuar a apuração dos fatos para punir o policial, se provada a sua participação nos crimes? Por que não dar os nomes dos personagens, tanto do presidente da apuração quanto do acusado, ao menos em iniciais, já que a identidade da vítima não foi preservada? A portaria do corregedor não deveria incluir as razões para o pedido de sobrestamento, já que se trata de eventual homicídio?

Sexta, 29 Março 2019 08:42

O viver perigoso

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O primeiro a ser preso, desta vez, foi o mandante do crime, que costuma permanecer desconhecido ou ficar impune. Os quatro executores ainda estão foragidos, mas já foram identificados e com mandado de prisão expedido. A prisão do mandante, o fazendeiro Fernando Ferreira Rosa Filho, foi anunciada pelo próprio governador do Pará, Helder Barbalho, no dia 25, quatro dias depois do assassinato de Dilma Ferreira Silva, coordenadora regional do Movimento de Atingidos por Barragens em Tucuruí, na região central do Estado.

Tudo foi muito rápido, considerado o padrão desse tipo de acontecimento no Pará, o campeão nacional dos crimes de encomenda na zona rural. O governo organizou uma força-tarefa com múltiplos integrantes, identificou os personagens do crime e obteve a ordem judicial para agir imediatamente.

Foi uma tripla execução. Além de Dilma, de 48 anos, seu marido, Amado da Silva, de 42, e um amigo do casal, Milton Lopes, de 38, foram amordaçados e executados com golpes de arma branca no interior da residência, no assentamento rural Salvador Allende, em homenagem ao presidente do Chile, derrubado por um golpe militar em 1973, no município de Baião.

Estavam reunidos os ingredientes das execuções contra líderes populares. Pela condição de Dilma, de integrante do MAB, a primeira suposição foi de que sua morte tivesse alguma relação com a hidrelétrica de Tucuruí, a segunda maior do Brasil, que começou a funcionar em 1984, no rio Tocantins, uma das principais obras do regime militar. A construção da usina provocou remanejamentos de moradores e muitos conflitos, com a participação do MAB na defesa dos expropriados.

Em seguida, os crimes foram relacionados à disputa pela terra entre posseiros, proprietários e grileiros. O assentamento fica próximo à área reivindicada pelo mandante.

Quando as buscas já estavam em andamento, neste fim de semana, três corpos carbonizados foram encontrados a 20 quilômetros do local do triplo homicídio, no que poderia ser uma “queima de arquivo”.

Na verdade, eram funcionários que Fernando Filho teria mandado matar para evitar que fossem à justiça do trabalho contra ele, que fizera a contratação irregular dos trabalhadores. O currículo do fazendeiro é extenso. Ele é acusado de envolvimento com tráfico de drogas, agiotagem, receptação, roubo a banco, homicídio, tentativa de homicídio e grilagem de terras.

Ele teria mandado matar Dilma, o esposo e conhecido para ocupar uma parte das terras onde eles viviam. A polícia apurou que o fazendeiro teve contato pessoal com os executores, antes, durante e após os assassinatos. Seriam quatro irmãos, dois dos quais já tinham sido presos. Um deles também está foragido do sistema penitenciário, onde cumpria pena por homicídio. Os quatro são apontados como criminosos selvagens;

Ao anunciar a primeira prisão, o governador, que é do MDB e filho do senador Jader barbalho, garantiu que esse tipo de crime não será tolerado, ocorra no meio urbano ou na zona rural. Os bons resultados obtidos no caso dos três assassinados de Baião deveria servir “como exemplo para que nós possamos virar a página dos crimes que ficam impunes no Estado do Pará”, prometeu Helder barbalho.

Na verdade, porém, viver ficou ainda mais perigoso no sertão amazônico de tantos crimes, por tantas motivações.

 

Domingo, 24 Março 2019 14:56

Crime de encomenda sem mandante

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A polícia não conseguiu identificar o mandante da morte do empresário João de Deus Pinto Rodrigues, empresário que era um dos herdeiros do grupo Líder, o maior do setor de supermercados do norte do Brasil, ocorrido em janeiro de 2015. Por isso, o juiz Moisés Flexa, responsável pela 2ª vara do tribunal do júri de Belém, acolheu o parecer do Ministério Público do Estado, para arquivar o inquérito policial. A decisão foi tomada no último dia 20.

“Mesmo após exaustiva investigação”, o inquérito realizado pela polícia civil não conseguiu “lograr êxito para se chegar a um resultado suficiente para indícios de uma coautoria delitiva, não havendo outra solução senão acompanhar o entendimento ministerial para determinar o arquivamento do presente procedimento investigatório”, decidiu o juiz.

As diligências realizadas pela polícia judiciária, “ainda que pese a boa vontade e o empenho da autoridade policial, não conseguiram chegar a um resultado satisfatório que apresentasse indícios suficientes para oferecimento da Denúncia”, ressaltou o magistrado.

Inicialmente, a morte de João de Deus Pinto Rodrigues (referido na documentação pública do processo pelas suas iniciais, JDPR), foi atribuída a uma overdose de diversas drogas, durante festa de aniversário em uma boate da cidade. Depois, foi considerada como homicídio, crime atribuído a Jeferson Michel Miranda Sampaio, que seria traficante de drogas, e está preso há quase quatro anos. Finalmente, a polícia e o MP sustentaram a tese de que foi um crime de encomenda. Michel teria sido pago para matar aquele que, na versão intermediária, aparecia como sendo o seu maior cliente de drogas. Era público e notório que João era viciado.

Como as investigações não chegaram a nenhum mandante, somente Michel, hoje com 32 anos, que era, na época, estudante do curso de direito, será levado ao júri, a ser realizado em 25 de abril, por determinação do juiz Moisés Flexa.

Sábado, 27 Janeiro 2018 16:46

Quando a guerra civil será reconhecida?

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Quatro policiais militares morreram e dois foram feridos, todos a bala, em confrontos diretos, durante operações de rua, ou assassinados em outras ações violentas neste ano na região metropolitana de Belém. A estatística não inclui um PM morto em instrução interna.

Um morreu em confronto com criminosos, dois foram mortos durante assaltos e um foi executado dentro do próprio carro. Dá a média de um morto por semana. A grande Belém possui em torno de dois milhões de habitantes.

Na região metropolitana do Rio de Janeiro, com seis vezes mais habitantes, foram mortos 10 PMs. No Rio, como se sabe, há uma guerra não declarada entre as forças de segurança do Estado e os traficantes. Em Belém, não há. Mas é como se houvesse.

Nenhum dos assassinatos foi até agora esclarecido ou os assassinos presos. As autoridades de segurança pública sequer fizeram uma declaração oficial a respeito. Nem as condições de trabalho dos policiais, militares ou civis, se modificaram. A ausência de resultados concretos e o silêncio espantam, chocam e revoltam.

Assim, não surpreende a cena do dia 23, registrada em vídeo postado na internet. . O governador Simão Jatene cumpria agenda oficial no bairro Jardim Sideral, quando, foi abordado por uma mulher, que se identificou como cabo da Polícia Militar. Muito exaltada, aos gritos, cobrou providências, acompanhando o governador, que ouvia em silêncio:

“Por que quando tá na política pode falar alto e agora tem que falar baixo? Eu não tô ofendendo, eu sou contribuinte. Uma providência tem que ser tomada, senhor. Nós enterramos cinco irmãos em 15 dias. Faltam 11 meses para acabar o ano”.

Ela também comparou o Pará ao Rio de Janeiro: “O Rio enterrou 107 policiais em 12 meses e nós enterramos cinco irmãos em 15 dias. Eu sou policial também e esse secretário tem que sair”, referindo-se ao general Jeannot Jansen da Silva Filho, da Segup,

Ela sugeriu ao secretário que “peça para sair” caso não seja demitido. “Aqui é o Pará, não é o Rio de Janeiro. Esse secretário não conhece a nossa realidade”. A secretária de  Administração, Alice Viana, tentou acalmar a jovem. Sem muito sucesso.

Em 2017 foram mortos foram mortos 34 policiais militares, dando um PM assassinado a cada 10 dias. A média passou para sete neste início de ano. Rio.

Vai continuar assim? Ou vai piorar?

Sexta, 26 Janeiro 2018 16:38

Polícia e bandido

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Dois axiomas da segurança pública na região metropolitana de Belém ruíram definitivamente nos dois últimos dias.

O primeiro: são inviáveis assaltos e assassinatos no velho centro comercial da capital paraense. Ruas estreitas, várias delas ocupadas por centenas de ambulantes, impossibilitam a fuga depois de cometido o crime. A identificação e prisão do eventual criminoso é ainda facilitada pela presença da polícia na área.

Ontem, às 10 e meia da manhã, um camelô, Eurico Charles Brito, de 42 anos, há muito tempo no local (a congestionada João Alfredo, entre Frutuoso Guimarães e Campos Sales) com sua barraca de conserto e venda de peças de aparelhos telefônicos, foi morto com um tiro dado à queima-roupa.

O assassino se aproximou pelas costas da sua vítima e disparou com uma pistola ponto 40. A bala atravessou a cabeça do homem e saiu pelo rosto, atingindo outro ambulante próximo, que foi socorrido, levado para um hospital e está fora de perigo.

O assassino correu para a esquina, onde um parceiro o esperava e fugiu na motocicleta. A menos de duas quadras funciona a Seccional da polícia civil no Comércio, com uma estrutura maior do que a de uma delegacia.

O assassino e o motoqueiro usavam capacete. Uma pessoa com capacete desce da moto, não tira o equipamento, anda entre as barracas, fica a poucos palmos do seu alvo, atira, volta pelo mesmo caminho, embarca na moto e foge sem ser identificado. Nem se sabe se havia alguma câmera de segurança instalada para registrar o acontecimento.

A cidadela de segurança do comércio desabou. A insegurança penetrou pelo bastião arruinado e agora pode fazer novas vítimas. Os agentes privados que atuam ali, protegendo vendedores de vídeos e CDs piratas, não funcionaram.

O outro axioma que chegou ao fim: a presença de um Policial Militar fardado e armado intimida bandidos. Com essa premissa no coldre, muitos PMs prestavam e prestam serviço particular, inclusive em horário em que deviam estar aquartelados ou em rondas externas, de serviço. Faazem “bicos” para enxertar o magro salário que recebem.

Na quarta-feira, dois PMs perderam suas pistolas .40 quando, fardados, faziam esse tipo de serviço. A mecânica foi a mesma: alguém investe armado (ou não) contra o PM, tira-lhe a arma, com a cobertura de um motoqueiro, ameaça o policial e foge. Parte do arsenal dos assassinos tem poderosas armas privativas da força policial. Roubadas, quando não adquiridas no mercado negro.

Uma das cenas do roubo da arma é patética, na Cidade Nova 8: o PM está relaxado numa cadeira, na calçada sob a marquise da loja. Um homem, a pé, o surpreende, lhe retira a pistola e volta a arma contra o militar. Ele imediatamente levanta os braços, ainda mais amedrontado diante da pistola que o mira. Teme (e parece tremer) quando o homem que o atacou o mira na hora da fuga, mas o tiro não veio. Só a arma é que se foi.

A postura desses policiais militares é displicente e irresponsável. Eles não parecem ter sido suficientemente treinados para ter consciência de que, num átimo, o que era um bem do aparato de repressão estatal pode passar a servir de instrumento de crimes, incluindo homicídios. O adestramento tem que melhorar.

Mas também a postura. Policiais deram agora de fazer selfies das prisões que efetuam, individualmente ou em grupo, com a presença necessário do criminoso que prenderam, indiferentes à velha e sábia máxima de Lúcio Flávio Vilar Lírio: polícia é polícia, bandido é bandido. Parece que todos estão virando mauricinhos.

Quinta, 25 Janeiro 2018 16:35

Belém: um campo de batalha

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Jeferson Roberto Araújo de Nazaré, de 26 anos, “era uma pessoa alegre, trabalhando honestamente todos os dias no sol ou na chuva”. Isabele, que o conhecia, nunca o viu “tratar mal ou ser desrespeitoso com ninguém, mesmo quando a venda do dia não lhe rendia bons frutos, sempre dava um jeito de rir de suas mazelas”.

Ontem, no auge da manhã ensolarada. ele caminhava tranquilamente pela rua Wandenkolk, na direção da avenida Senador Lemos, no bairro mais valorizado de Belém, o Umarizal, a uma quadra do “point” mais badalado da cidade, a Doca de Souza Franco (um esgoto a céu aberto cercado por oito vias de intenso tráfego e calçadas para praticantes de corridas e caminhadas).

Jeferson usava um fone de ouvido, trajava calça jeans e camisa polo listrada, roupa barata. Calçava sandálias brancas, também baratas, e carregava mochila nas costas. Recebeu o primeiro tiro pelas costas, disparado por um homem que estava na carona de uma motocicleta, dirigida por outro homem, ambos com capacetes, usando casacos de mangas compridas, fechados até o pescoço. Preocupados em não serem identificados.

Quando caiu ao chão, provavelmente Jefferson já estava morto, mas o pistoleiro desceu da moto e lhe deu mais dois tiros, “palmo em cima”, na cabeça, com calma e segurança, como se estivesse atendendo a pessoa caída na calçada. Voltou à moto e seguiu, na contramão, na direção da Senador Lemos.

Quatro pessoas estavam na cena do crime, registrado por uma câmera de segurança de uma loja do outro lado da rua. Uma senhora, que acabara se cruzar à frente de Jeferson, olhou e continuou a andar. Assassinatos em geral e execuções em particular, como a de Jeferson, se tornaram triviais (mais do que banais) na capital dos paraenses.

Apesar do testemunho dado pela amiga através do portal do Diário do Pará, as informações da polícia estão mais coerentes com as características do assassinato de Jeferson, de acerto de contas e execução. Solto há três anos depois de ter sido preso por roubo, ele estaria tentando se recuperar, vendendo produtos, que comprava no Entroncamento, numa parada de ônibus na praça da República. Por que, então, atraiu a dupla de matadores?

A pergunta ainda não tem resposta. Respostas à violência, aliás, é o que a população deixou de ter das autoridades. Por isso, cada um está procurando se defender como pode da agressão, quando não agride primeiro. Belém virou um amplo campo de batalha.

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