Memoria do Cotidiano

Memoria do Cotidiano

Em 1970 o navio Dallas, da Netumar, aportou em Belém com 800 toneladas de papel, que seria distribuídos pelos jornais que então circulavam: 180 toneladas (ou 390 bobinas) para a Folha do Norte, 20 toneladas para a Folha Vespertina, 12 toneladas para O Imparcial, 4 toneladas para o Flash, 80 toneladas para A Província do Pará e 90 toneladas para O Liberal.

Pelo volume pode-se deduzir qual a circulação desses jornais. A folha ainda liderava com folga o mercado.

A história de 25 anos do cliper Brasil-Portugal chegou ao fim em 1966, quando a prefeitura o demoliu, depois de indenizar os proprietários dos dois bares que nele funcionavam. Bem no local, seria erguida a estátua de Pedro Teixeira, na comemoração dos 350 anos de Belém. O cliper era ponto de reunião e de abrigo na entrada do porto, mas seu abandono e decadência o transformaram num ponto de bêbados e marginais.

Uísque foi a mercadoria de maior procura pelos participantes do leilão de produtos contrabandeados que a alfândega realizou em Belém, em 1970. Outros itens vendidos foram penas para caneta tinteiros, radiolas portáteis, isqueiros, peças de fazendas de seda, calças Lee legítimas, rádios, radiolas, pulseiras, aparelhos de televisão, pneus de avião e lâminas para barbear.

O livro de Dalila Ohana escreveu sobre as últimas 72 horas de Magalhães Barata, vítima de um câncer, foi o grande lançamento de 1960, o ano seguinte ao da morte do líder político, com quem viveu durante muitos anos, desde que ele se separou da sua esposa (sem oficializar a separação). Sob a assinatura de J.M., João Malato destacou na Folha do norte (a grande inimiga de Barata) "um dos capítulos mais pungentes" do livro.

Em julho de 1959 passaram por Belém mais de 800 toneladas de castanha do Pará com destino à Inglaterra (Londres, Liverpool e Hall) e Estados Unidos (Nova York), embarcadas em navios estrangeiros, além de 2,3 mil toneladas de madeira para Portugal (Lisboa e Leixões). Da pauta de exportações constavam ainda balata ( 2 toneladas), cumaru (922 quilos), óleo de pau rosa, grude de peixe, copaíba, borracha e couros.

Em 1960, o secretário de Segurança Pública, Evandro do Carmo, voltou a exigir, por portaria, que todos os funcionários da repartição trajassem paletó e gravata no trabalho. ele leu na imprensa que os investigadores e outros policiais "andavam em mangas de camisas ou blusão, em completo relaxamento, havendo mesmo ocasiões em que não se distingue a autoridade do preso". Hoje, muito menos.