Economia

Economia (88)

Terça, 05 Março 2019 17:33

Os riscos da Vale

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Uma redução de preço de apenas um dólar por tonelada no preço médio do minério de ferro no mercado internacional teria reduzido o lucro operacional da Vale no ano encerrado em 31 de dezembro de 2017 em aproximadamente US$ 300 milhões (mais de um bilhão de reais).

Só esse dado, que consta do último Formulário de Referência da companhia, documento interno produzido pela auditora independente KPMG no ano passado, revela como a empresa é afetada pelos movimentos nos preços do minério de ferro.

Os preços médios do minério de ferro mudaram significativamente nos últimos cinco anos, de US$ 135 por tonelada em 2013 para US$ 97 em 2014, US$ 55,5 em 2015, US$ 58,5 em 2016 e US$ 71,3 em 2017, para o minério com teor de pureza de 62% posto na China (o de Carajás tem mais de 66%).

A demanda por produtos de minério de ferro, carvão e níquel depende da demanda global por aço. O minério de ferro e pelotas, que, em conjunto, representaram 71,2% da receita operacional líquida da Vale de 2017, são utilizados para produção de aço carbono. O níquel, responsável por 13,7% da receita operacional líquida, é utilizado principalmente para produzir aço inoxidável e ligas de aço.

Os preços dos diferentes tipos de aço e o desempenho da indústria siderúrgica global “são altamente cíclicos e voláteis, e esses ciclos de negócios na indústria siderúrgica afetam a demanda e os preços dos produtos da Companhia”. Observa o relatório.

Além disso, a integração vertical a montante das indústrias siderúrgica e de aço inoxidável e o uso de sucata “podem reduzir o comércio transoceânico global de minério de ferro e níquel primário”.

A demanda por cobre é afetada pela demanda de fio de cobre e um continuado declínio na demanda da indústria da construção poderia ter um impacto negativo nos negócios de cobre da empresa. Atuando em várias partes do mundo, a mineradora tem que considerar muitos fatores de risco, os mais graves, nos últimos tempos, provocados por ela mesma, nos desastres de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais.

Segunda, 04 Março 2019 17:07

A mineração e o Pará

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O crescimento do PIB do Brasil no ano passado foi mais acelerado nas regiões Norte e Sul, com alta de 2,7%. O pior desempenho foi do Centro-Oeste, que ficou praticamente estagnado, segundo análise do banco Itaú.

As demais regiões registraram um desempenho próximo ao da média nacional, que foi de 1,1%, segundo o IBGE, que divulgou os dados oficiais na semana passada: o sudeste cresceu 1%, e o Nordeste avançou 1,2%.

Na Amazônia, o melhor desempenho foi o do Pará, que cresceu 3,1%, beneficiando-se da expansão da mineração. No final de 2016, a Vale inaugurou o S11D, em Carajás, o maior projeto de mineração do mundo, com investimento de 14,3 bilhões de dólares (mais de 50 bilhões de reais). Já no Amazonas, a expansão foi de 2,7%, graças a alguns segmentos da Zona Franca de Manaus.

O Espírito Santo foi o Estado com o melhor desempenho de 2018, de 4,8%, recuperando-se dos prejuízos causados, em 2016, pelo rompimento da barragem de Mariana, que fez o PIB encolher 7,8%. No ano passado, o Estado foi o único a receber a nota máxima do tesouro nacional em relação à sua capacidade de pagamento. O Espírito Santo possui um perfil assemelhável ao do Pará, além de estar vinculado a Minas gerais na extração e exportação de minérios.

Sexta, 22 Fevereiro 2019 13:20

Desemprego na Amazônia

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O Amapá foi o Estado com o maior índice de desemprego no ano passado no Brasil: foi de 20,2%. Macapá também ocupou o topo do ranking do desemprego entre as capitais brasileiras: 18,7%. O índice em Porto Velho, capital de Rondônia, também foi alto (13,7%), assim como o de Boa Vista, capital de Roraima (12,4%). Em todos eles, a situação no interior é melhor (ou menos ruim) do que na capital, exceto no Amapá, onde a configuração é de migração rural-urbano dentro do Estado. Em Rondônia e Roraima parece haver movimento inverso, com atividades novas em suas fronteiras econômicas. Mas parece evidente que os antigos territórios federais na Amazônia ainda não definiram suas novas vocações.

Essas e outras interpretações podem ser feitas a partir dos dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar), divulgados ontem pelo IBGE. Ela mostrou que a maior redução do desemprego aconteceu no Amazonas, com queda de 15,7% para 13,9% entre 2017 e 2018. A outra significativa redução foi no Acre, de 14,1% para 13,5%. A do Pará foi de 11,8% para 11,1%. Na Amazônia Legal, o Pará fica acima do Tocantins (10,6%) e de Mato Grosso (10,6%).

Quarta, 20 Fevereiro 2019 11:32

Aliança

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O Diário do Pará anuncia, na sua primeira página, que os exemplares do jornal podem ser comprados na rede de farmácias da Reinafarma. Apesar de nova, a Reinafarma já possui 16 pontos de venda em Belém. A meta anunciada é chegar a 30 farmácias na capital e incursionar pelo interior do Estado, tornando-se, talvez, a maior rede mantida por uma empresa local.

Ainda há maiores, mas absorvidas por empresas nacionais, a mais recente e voraz sendo a Drogasil, que estão engolindo as companhias locais e as lojas isoladas. A Reinafarma não só decidiu entrar nesse mercado concorrido como se lança nele com o mesmo ímpeto das grandes concorrentes. Aparentemente, contando com o apoio do jornal do governador e vice-versa.

O proprietário é o grupo Almeida Gonçalves, que tem à sua frente Reinaldo Gonçalves, dono da Esamaz,. A Escola Superior da Amazônia, com o mesmo ritmo de crescimento, oferece 22 cursos de graduação e 54 de pós-graduação a quatro mil alunos.

Segunda, 11 Fevereiro 2019 16:31

Plataforma de lançamento de minérios

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O terminal marítimo da Ponta da Madeira, que fica na ilha de São Luís do Maranhão, completou, no mês passado, 33 anos de funcionamento como o maior porto em movimentação de carga do Brasil e um dos maiores do mundo. Ele escoa, para o exterior, a produção de minério de ferro da Serra dos Carajás, no Pará, e mais outros minérios, além de carga geral. É também o terceiro porto graneleiro com maior movimentação de carga do mundo.

A mineradora Vale, concessionária do porto, lembra que foi em janeiro de 1986 que o navio Docepolo (da sua então subsidiária, a Docenave) levou o primeiro carregamento de minério de ferro partindo de Ponta da Madeira. Nesse ano, o volume total exportado foi de 11 milhões de toneladas. Em 2017, o volume chegou a 168 milhões de toneladas (3,6% das exportações nacionais), a maior parte destinada à China. Em 31 anos de operação, passaram pelo mais de 2 bilhões de toneladas do minério, o de melhor qualidade do planeta.

Sexta, 26 Janeiro 2018 16:42

O misterio da Cazbar

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Alguma coisa de anormal aconteceu na quase desconhecida (mas que deveria ser importante) Companhia Administradora da Zona de Processamento de Exportações de Barcarena, que pertence ao governo do Estado. Seu conselho de administração foi convocado para receber o pedido de demissão o presidente da companhia, Olavo Rogério Bastos das Neves. A ata da reunião foi publicada na edição de hoje do Diário Oficial, com intervalo de menos de 24 horas do acontecimento. Talvez seja recorde de rapidez na centenária história do DO.

Olavo justificou seu pedido de demissão porque “não mais lhe convém continuar atuando em tais funções”. A urgência dos motivos lhe impediu de concluir o mandato, que se encerrará em um mês, em 25 de fevereiro. Ele foi imediatamente substituído por Fábio Lúcio de Souza Costa, que parece estar se tornando um coringa na administração Jatene. Ele acumulará a presidência da companhia com a do seu Conselho de Administração, à qual Olavo também renunciou.

A ata da reunião consignou que “em razão da Companhia estar sem disponibilidade financeira para a provisão de pagamento de remuneração e salários”, o novo presidente concordou “em abrir mão do seu salário e remuneração até que sejam resolvidas as questões orçamentárias e financeiras da companhia”. Na devida ocasião deverão ser “oportunamente definidos a remuneração devida, bem como a data a partir de quando serão devidos, não cabendo qualquer indenização ou direito sobre o período de renúncia, que se inicia nesta data e segue por tempo indeterminado”.

Tanta confusão e mistério sugere que há alguma coisa no ar da Cazbar além de uma renúncia espontânea.

ACRÉSCIMO

Ao menos parcialmente, está esclarecido um dos mistérios. Olavo Rogério Bastos das Neves teve que renunciar para poder assumir o Centro Regional de Governo do Oeste, lançado nesta semana, em Santarém, pelo governador Simão Jatene, depois do mesmo lançamento em Marabá, visando o sul do Estado. Olavo, por isso, teve que renunciar também à presidência e ao Conselho de Administração da Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará, cargos assumidos por Fábio Lúcio.

Parece que o governador se arma para a eleição.

Sexta, 26 Janeiro 2018 16:39

Um problema: o porto de exportação

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Quatro navios da CMA CGM ficaram fundeados ao largo do porto de Vila do Conde, sem poder atracar, por causa da quebra de equipamentos da operadora do porto, a Santos Brasil, por concessão do governo federal, que o administra através da CDP.

 

Como o problema não foi resolvido, os navios seguiram viagem sem receber as cargas que lhes eram destinadas. Exportadores, importadores, armadores e outros agentes tiveram que arcar com os prejuízos.

 

O fato foi relatado não encontro realizado em Belém no dia 23, promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia do Estado. Dela participaram empresários e entidades de classe, além de representantes da Receita Federal e da Companhia das Docas do Pará, segundo notícia da Agência Pará.

 

O acidente na operação do porto foi um fator circunstancial que ocorreu com outro fator, este estrutural: o aumento em 37,80% das exportações do Pará no ano passado, que “contribuiu para virem à tona graves problemas envolvendo o porto de Vila do Conde, em Barcarena.

 

Também acendeu um alerta: o terminal necessita aumentar sua capacidade de operação sob risco de não conseguir atender à crescente demanda em pouco tempo”, diz a matéria da agência oficial do governo.

 

Ela informa ainda que um navio com fertilizantes e sementes para a safra da soja no Pará, que tem prazo para plantio, ficou um mês à espera de ser descarregado, o que provocou reclamações e reivindicações de produtores de Dom Eliseu, Santana do Araguaia, Paragominas e Rondon do Pará.

 

O secretário Adnan Demachki está convencido que a médio prazo as exportações paraenses “vão aumentar significativamente” e que são urgentes “ações que resolvam não apenas o problema enfrentado este mês, mas que preparem Vila do Conde para o incremento da demanda”.

 

Em 2017 as exportações de minério representaram 87% do comércio internacional do Pará, abaixo da marca tradicional, há anos, de 90%. “E não porque o minério decresceu, ao contrário, cresceu e muito, com a produção da mina S11D e outras que entraram em operação em 2017. A razão é que aumentou substancialmente a exportação do agronegócio, como a soja, o boi vivo, a carne, o cacau, a palma e o açaí, impulsionados no âmbito do programa de desenvolvimento Pará 2030.”, disse o secretário, um dos nomes cotados para a sucessão de Simão Jatene no governo do Estado, pelo PSDB.

 

A Santos Brasil informou que até o dia 30 dois navios médios e um de longo curso partirão de Belém, normalizando a demanda e eliminando os problemas localizados. Até maio, a empresa receberá novas máquinas para melhorar a operação do porto como um todo.

 

“Isto não foi possível porque, até o final do ano passado, não havia garantia da CDP sobre a concessão, o que inviabilizou os investimentos”, disse Thiago Nishi, da Santos Brasil.

 

“A legislação é muito rígida e desatualizada em relação à nossa realidade, tanto que tivemos que abrir mão de uma área de vinte mil metros quadrados para que a concessão fosse renovada com urgência”, segundo a Agência Pará.

 

Bruno Figurelli, também da Santos Brasil, acrescentou que há “um problema sério de espaço no porto, e chegamos a operar com os contêineres na rua para viabilizar a demanda. Mas a solução definitiva para isto não depende apenas de nós”, justificou.

 

Antônio Marcos Lima, inspetor-chefe da Alfândega de Belém, sugeriu que, em vez de apenas uma portaria, em operação no porto, sejam construídas mais duas, “deixando uma apenas para o minério, com seu grande volume de exportações, uma para os contêineres e outra para os grãos e demais produtos”. Quando não houver movimentação, a portaria que não estiver em operação poderá ser simplesmente fechada, sem maiores ônus.

 

“Antônio Marcos também informou que a Receita já tinha cancelado o escaneamento de contêineres vazios, o que agilizava e muito a operação no porto como um todo, mas que isto implicava em justificativas junto a adidos diplomáticos de vários países, que cobram rigor ‘em tudo que envolve cargas em contêineres, por causa do tráfico de drogas’”, relata a notícia.

 

O secretário de Transportes, Kleber Menezes, anunciou que a rodovia Transalumínio, em Barcarena, está em processo de estadualização. “Isso viabilizará a recuperação e conservação da via, que hoje não está sob a gestão de nenhuma das três esferas de governo – federal, estadual ou municipal –, fato esse que dificulta a execução de qualquer obra lá.”

 

O presidente da CDP, Parsifal Pontes disse que não há previsão sobre quando será liberado um dos berços do porto, interditado pela carcaça do navio Haidar, que naufragou em outubro de 2015.

 

“O Ministério dos Transportes assumiu a remoção, a um custo de 60 milhões de reais, e a licitação já foi anunciada. Quando houver a efetiva liberação do dinheiro iniciaremos a remoção do navio, processo esse que demora entre seis e oito meses”, adisse ele.

 

Parsifal adiantou, no entanto, que o berço não será liberado num prazo menor que três anos, já que não basta a remoção: serão necessárias obras de limpeza, adequação, dragagem e outras, para que o problema seja definitivamente resolvido.

 

Ao final, a impressão que fica a um observador é de uma corrida contra o tempo perdido e os fatos que se sucedem por falta de antecipação. Ou seja: de planejamento para um dos cinco principais portos de exportação do Brasil.

Terça, 23 Janeiro 2018 16:21

O estouro da bomba

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A Previdência Social registrou, no ano passado, o maior déficit de todos os tempos: 268,8 bilhões de reais, 18,5% a mais do que o rombo de R$ 226,8 bilhões do ano anterior. Estes números englobam os dois regimes previdenciários: o geral, que abrange a esmagadora maioria da população, e o dos servidores públicos.

 

O déficit do INSS foi de R$ 182,5 bilhões no ano passado superior em 21,8% ao de 2016, de R$ 149,7 bilhões.

 

Já o déficit do regime dos servidores da União chegou a R$ 86,3 bilhões, dividido entre civis (R$ 45,2 bilhões) e militares (R$ 37,7 bilhões). Em 2016, o rombo no regime de todos os servidores federais foi de R$ 77,2 bilhões. Em relação ao ano anterior, o aumento do déficit foi de 20,3% para os civis e de 10,6% para as forças armadas.

Terça, 23 Janeiro 2018 16:21

O que fazer?

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A União é proibida, por lei, de se endividar para pagar despesas correntes. Mesmo assim, durante os 13 anos dos governos do PT, com ênfase nos cinco anos de Dilma Rousseff, o governo federal transferiu 150 bilhões de reais para o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES – R$ 130 bilhões raspados dos cofres do tesouro nacional e R$ 20 bilhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador, o FAT.

 

A justificativa e, agora, a defesa dos responsáveis por essa sangria é de que assim foi preciso para manter a taxa de investimento que permitiu ao país crescer, especialmente durante o mandato de Lula. Mas já se sabe, depois das investigações da Operação Lava-Jato, que grande parte desse dinheiro financiou as “campeãs brasileiras”, como a JBS, a Odebrecht ou Eike Batista, a exportar produtos e serviços, a comprar empresas no exterior, a conquistar contratos internacionais, a superfaturar créditos e a corromper técnicos, burocratas e políticos.

 

O governo cobra do BNDES a devolução do dinheiro, que nunca devia ter tido tal aplicação, e o banco alega que não tem os recursos. No impasse, a inventividade está sendo posta para funcionar, mas não conta com o prazo necessário pela urgência do governo, cujo rombo fiscal e déficit orçamentário não param de crescer.

 

Como diria Vladimir Ilitch Ulianov, o Lênin: o que fazer?

Domingo, 21 Janeiro 2018 16:08

Mais ricos, mais fracos

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A economia mundial deve ter crescido 3,7% no ano passado, um ponto percentual acima do que foi registrado em 2016. Na China, o desempenho foi de 6,8%, também superior ao de 2016, que foi de 6,7%. O incremento do PIB brasileiro não deve ter superado 1%.

Mantido o desempenho, a China, que, em 2010, tirou do Japão o título de a segunda maior economia do planeta, em 2019 passará à frente dos Estados Unidos.

Quando, na sexta-feira, o governo chinês anunciou o resultado do crescimento no último trimestre de 2017, o Ibovespa fechou com alta de 1,7% e 81.189 pontos, um novo recorde de patamar.

Significa que o Brasil ficará cada vez mais atado à China, crescendo com os chineses, os maiores parceiros do país, mas dependente em função dos termos do comércio entre as duas nações, que reserva ao Brasil a condição de fornecedor de matérias primas e semielaborados.

Esse tipo de relação foi comandado pelo presidente chinês, Xi Jinping. Seu mandato foi renovado por mais cinco anos. Garantia de que a bitola continuará estreita para os que realmente estão ficando cada vez mais ricos pela exportação de commodities, como o minério de ferro de Carajás.

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