Domingo, 14 Abril 2019 18:18

Juruti e Alcoa

Juruti completa neste mês 201 anos de existência. Sua maior empresa está no município há 10 anos. Em 2006, quando a Alcoa, a maior produtora de alumínio do mundo, começou a se instalar no município, o Produto Interno Bruto local era de 70 milhões de reais. Chegou a R$ 905 milhões em 2014. No mesmo ano, a renda por pessoa ultrapassou R$ 17 mil. Em 2000, era de apenas R$ 1.137,00.

Num press release que distribuiu para comemorar a data, a Alcoa diz que uma das frentes que utiliza no campo social é o Ijus (Instituto Juruti Sustentável), criada com o aporte financeiro da mineradora americana para financiar projetos na área de sustentabilidade. Ao longo de 10 anos, mais de 3.500 pessoas foram beneficiadas diretamente, com a aplicação em torno de um milhão de reais em investimentos a fundo perdido.

Líder mundial em produtos de bauxita, alumina e alumínio, no Brasil, a Alcoa possui três unidades produtivas, em Poços de Caldas (MG), São Luís (MA) e Juruti, escritórios em São Paulo (SP), Poços de Caldas (MG) e Brasília (DF), além de participação acionária na Mineração Rio do Norte, em Oriximiná, e em quatro usinas hidrelétricas: Machadinho, Barra Grande, Serra do Facão e Estreito.

Na nota à imprensa, a Alcoa não tratou especificamente do seu investimento na mina de bauxita de Juruti, de onde extrai minério para a sua fábrica de alumina em São Luís do Maranhão. O aniversário de Juruti não foi a oportunidade para abrir o interesse por essa atividade, que assinalou uma nova etapa na história do município, no extremo oeste do Pará.

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Terça, 09 Abril 2019 17:02

Estrangeiros saem da Vale

A Vale está sob pressão dos investidores para melhorar a segurança nas suas operações. O Financial Times anunciou que a Union Investment, a terceira maior administradora de investimentos da Alemanha, vendeu todas as ações e títulos que detinha na mineradora brasileira, depois do rompimento da barragem e Brumadinho, em janeiro,  que deixou mais de 220 mortos e mais de 70 pessoas desaparecidas.

A Union Investment administra 338 bilhões de dólares (1,3 trilhão de reais) em ativos, e controla 15% do mercado de investimentos alemão. A companhia era pequena acionista da Vale, e em março decidiu vender seus títulos e ações.

"A Vale foi excluída de todos os produtos que temos sob administração ativa", disse Henrik Pontzen, diretor de governança, questões ambientais e questões sociais na Union Investment.

Outra pessoa familiarizada com as discussões internas na Union Investment disse ao FT que a decisão foi tomada depois de discussões com a Vale que levaram à conclusão de que a mineradora tinha "falhas estruturais significativas" e que não havia implementado "medidas suficientes" para prevenir catástrofes semelhantes.

Já a Allianz Global Investors, segunda maior administradora de ativos da Alemanha, informou que reduziu sua exposição à Vale depois do desastre com a barragem de Mariana, também em Minas, em 2015, e que havia deixado de ser acionista da Vale muito antes de janeiro deste ano.

Susana Penarrubia, diretora de integração social e ambiental e de governança na DWS, a maior administradora de investimentos da Alemanha, disse à agência de notícias Reuters que o colapso da barragem "é uma nova confirmação de nossa posição muito cautelosa quanto ao setor de mineração, em termos ambientais, sociais e de governança", e acrescentou que a DWS já havia excluído a Vale de seus investimentos nessas áreas e revisaria as posições detidas na empresa em nome de clientes institucionais.

Relata o jornal londrino que a Igreja anglicana vendeu suas ações, no valor de menos de 10 milhões de libras ( 50,4 milhões de reais), nos dias que se seguiram ao desastre, enquanto o conselho de ética da Suécia - que assessora diversos fundos de pensão naquele país - instou seus clientes, no mês passado, a abandonar seus investimentos, por haver "perdido a confiança" na companhia.

Na sexta-feira da semana passada, a Igreja e o conselho conclamaram todas as companhias mineradoras de capital aberto a revelar "todas as instalações individuais de rejeitos que tenham sob seu controle".

A carta da Igreja solicitava que 683 companhias de mineração em todo o mundo revelassem suas instalações de rejeitos em prazo de 45 dias. "É essencial que os investidores tenham visão clara sobre que empresa controla que instalação de rejeitos, e sobre como essas instalações estão sendo administradas", disse Adam Matthews, diretor de ética e engajamento do Conselho de Pensões da Igreja anglicana. A carta recebeu apoio de 96 investidores, que têm US$ 10,3 trilhões (R$ 39,8 trilhões) em ativos sob administração.

O fundo de investimento petroleiro da Noruega, o maior fundo nacional de investimentos do planeta, que detém 1,1% da Vale, disse ao Financial Times que está dialogando com a empresa desde o desastre e que o conselho de ética da Noruega, que assessora o fundo petroleiro sobre vender ou não suas participações em determinadas empresas, estava investigando a Vale.

Relata o Financial Times que os investidores estrangeiros passaram anos rejeitando a Vale, uma situação que só mudou quando a companhia mudou sua estrutura acionária, pouco antes da chegada de Schvartsman, na metade de 2017. Isso resultou na dissolução de um pacto entre acionistas controladores que estava em vigor há duas décadas.

Dois dos quatro fundos de pensão brasileiros que formam o grupo chamado Litel - o maior acionista da Vale, com 21% - não responderam a pedidos de comentários. Os outros dois se recusaram a comentar, assim como a Vale.

O banco nacional de desenvolvimento brasileiro, o BNDES, que detém 6,3% da companhia, se recusou a comentar. O banco Bradesco disse ao jornal inglês que manteria sua participação de 5,7%.

No mês passado, a polícia e magistrados brasileiros se referiram, em documentos judiciais, a "provas" de que a Vale estava ciente de que a barragem que entrou em colapso apresentava forte risco de ruptura, e que a empresa exerceu "pressão" sobre os inspetores que a certificaram como segura.

Eles alertaram que a Vale poderia ficar sujeita a penalidades financeiras e também a "sanções mais drásticas, como a suspensão parcial ou proibição de suas atividades, ou mesmo a dissolução compulsória da companhia".

Ricardo Salles, ministro do meio ambiente, admitiu que "a maior responsabilidade cabe à companhia, sem dúvida", acrescentando que a fiscalização de barragens deve ser melhorada, de modo geral.

A Vale anunciou esta semana que suspendera as operações em 10 de suas barragens em Minas Gerais. A decisão se segue à adoção pelas autoridades de critérios novos e mais rigorosos para avaliar o nível de ameaça.

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Terça, 26 Março 2019 16:33

A Vale e a inovação

Por ironia, no ano em que voltou a causar um desastre ecológico e social em Minas Gerais, a Vale integrou pela primeira vez a lista das 50 empresas mais inovadoras, ranking que o Boston Consulting Group, dos Estados Unidos, organiza pelo 13º ano seguido.

No topo ficou a Alphabet/Google, interrompendo a hegemonia de 12 anos da Apple. A Vale foi a primeira das mineradoras, ocupando o 19º lugar. Atrás dela ficaram as suas concorrentes BP (46ª) e a Rio Tinto (49ª).

As 10 empresas mais inovadoras do mundo usam inteligência artificial com frequência, além de plataformas para crescer mais rápido que os concorrentes e os mercados.

Os mineiros em particular e os brasileiros em geral, incluindo os paraenses, gostariam muito que a Vale se destacasse num tipo especial de inovação: a valorização da vida humana e da natureza.

Estas são as empresas mais inovadoras de 2019 segundo o BCG:

1º: Alphabet/Google
2º: Amazon
3º: Apple
4º: Microsoft
5º: Samsung
6º: Netflix
7º: IBM
8º: Facebook
9º: Tesla
10º: Adidas
11º: Boeing
12º: BASF
13º: T-Mobile
14º: Johnson & Johnson
15º: DowDuPont
16º: Siemens
17º: Cisco Systems
18º: LG Electronics
19º: Vale
20º: JPMorgan Chase
21º: Mc Donald’s
22º: Marriott
23º: Alibaba
24º: Bayer
25º: AT&T
26º: Allianz
27º: BMW
28º: SAP
29º: Philips
30º: Royal Dutch Shell
31º: AXA
32º: Unilever
33º: Salesforce
34º: Pfizer
35º: Stryker
36º: NTT Docomo
37º: Toyota
38º: Volkswagen
39º: 3M
40º: General Motors
41º: Dell
42º: Walmart
43º: eBay
44º: HP Inc.
45º: ING
46º: BP
47º: Daimier
48º: Huawei
49º: Rio Tinto
50º: Hilton

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Quarta, 20 Março 2019 09:40

Norsk perde de novo

A Hydro, uma das maiores empresas de alumínio do mundo, ainda não conseguiu se recuperar integralmente do extenso ataque cibernético que sofreu no dia, colocando fora do ar seu sistema de informática,mas informou que " fez progressos na obtenção de operações seguras e estáveis ​​em toda a empresa". A maioria das suas atividades, inclusive em Barcarena, no Pará, está sendo feita manualmente.

É mais um prejuízo que a empresa acumula desde fevereiro do ano passado, quando foi punida por fazer despejo irregular de rejeitos da lavagem de bauxita na Alunorte, a maior fábrica de alumina do mundo. A maior sanção foi o embargo a metade da sua produção de alumina,, que provocou redução igual para trás (na extração de bauxita) e para frente (na produção do metal). Em consequência, o valor das ações da Norsk Hydro no mercado internacional caiu 40%. No último trimestre do ano passado, a empresa teve prejuízo de 63 milhões de dólares.

Em janeiro deste ano, o governo revogou a punição imposta pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado, mas a restrição continha em vigor, por decisão judicial. A Norsk está tentando retomar a plena produção. Para isso, substituiu seu antigo presidente, que estava no cargo havia 10 anos, pela executiva do setor de metais primários.

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Segunda, 04 Março 2019 18:14

Poluição em Barcarena

No dia 26 de fevereiro foi alterada a coloração de alguns cursos de água em áreas próximas ao depósito de rejeitos de alumina da Hydro Alunorte, em Barcarena. Foi o resultado de chuvas intensas e prolongadas que ocorreram nesse dia na região. Mas não foi constatada ainda nenhuma contaminação por efeito de eventual de rompimento ou transbordamento nos dois depósitos, o mais antigo, o DRS-1, ou o mais novo, que só recentemente começou a operar. A hipótese mais provável é de excesso de fluxo de água nas drenagens naturais, que convergem para a comunidade Bom Futuro, de onde partiu o alerta de poluição, ou algum escapamento pelos condutos de água da fábrica, a maior do mundo, controlada pela multinacional norueguesa. Os resultados das análises realizadas pelo Instituto Evandro Chagas ainda demorarão alguns dias até serem concluídas.

 
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Segunda, 04 Março 2019 16:35

O De$a$tre de Brumadinho

O texto a seguir é um dos mais lúcidos e elucidativos sobre os desastres de Brumadinho e Mariana, e sobre os riscos da mineração em geral. Francisco Fonseca, que o escreveu, tem teoria e prática suficientes e com a qualidade exigida de quem sabe o que diz, como mostra o resumo do seu currículo, ao final do texto. Seu primeiro livro, de 40 anos atrás, foi um marco na reflexão geológica no Brasil: "Reservas Minerais e o Futuro da Humanidade"(Editora Vega, Belo Horizonte, 1977).

Para efeitos deste espaço, suprimi alguns parágrafos mais técnicos do artigo, fiz ajustes e introduzi esclarecimentos entre colchetes. O texto é de antes do afastamento da alta direção da Vale, incluindo o seu presidente.

                                                                                                                                                                     

Todos já sabem porque estourou a barragem em Brumadinho. O porteiro do meu prédio e um taxista meu amigo, sabem que as barragens a montante são mais baratas e menos seguras que as barragens a jusante e não fui eu que contei.  As imagens que rodaram o mundo mostraram que o rejeito se comportou como um líquido, arrebentou a barragem e escorreu pelo vale.  Desenhos de barragens foram publicados em todos os jornais.

O Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais é uma área de aproximadamente 7.200 km², densamente povoada, com várias cidades históricas cheias de obras de arte. No Quadrilátero está a maior parte das minas de minério de ferro do Brasil, com suas respectivas barragens de rejeito.

O desastre ocorreu na mina Córrego do Feijão, no município de Brumadinho, que fica do lado oeste do Quadrilátero e está assinalada em vermelho no mapa geológico que acompanha este texto.  O desastre gerou uma situação de alerta e pânico na região. Todos estão aguardando o próximo estouro de uma barragem.

Existem no Quadrilátero Ferrífero muitos tipos diferentes de minério, que são submetidos a diferentes processos de beneficiamento. As características do rejeito resultante depende destes fatores. Existem rejeitos com características semelhantes à da areia, que não representarão risco quando lançados em uma barragem a montante. Existem rejeitos cujo principal componente é uma areia ferruginosa muito fina e muito densa e aí o comportamento já é diferente.

A Vale e outras mineradoras do Quadrilátero Ferrífero, como a CSN [Companhia Siderúrgica Nacional] no município de Congonhas, estão com a corda no pescoço. Não podem deixar que outro desastre com um grande número de mortos se repita.  Aumentar a segurança de barragens a montante e ainda por cima paralisar operações e deslocar populações, ficará muito mais caro do que se tivessem sido construídas barragens a jusante em locais mais adequados e mais distantes das minas. A decisão por barragens a montante foi por motivos exclusivamente econômicos.

Tudo que se gastou em propaganda tentando levantar a imagem da empresa junto ao publico, foi para o ralo em um minuto. Manchetes garrafais anunciam a retirada às pressas de moradores das áreas de risco. Sirenes apitam e centenas de famílias não dormem mais tranquilas.

A justiça agora está procurando culpados. Havia rachaduras e vazamentos na barragem e não foram tomadas providencias. Consultores fizeram relatórios errados para agradar o contratante.  Administradores não acreditaram nos avisos dos técnicos. Vamos procurar os culpados e por em cana.

Eu acho isso uma sacanagem. A responsabilidade é dos altos dirigentes, preocupados só com o resultado   financeiro, que decidiram que as barragens tinham que ser o mais baratas possível.  Sair prendendo técnicos e administradores agora é sacanagem.

A Vale está sofrendo esse enorme abalo devido à estultice da nova administração implantada depois da privatização. A Vale é profundamente vinculada a Minas Gerais e vai continuar por aqui, mas a longa história do Quadrilátero Ferrífero criou uma situação onde a propriedade dos direitos minerais está dividida entre muitas empresas.

Depois da privatização o novo grupo dirigente partiu para um programa ambicioso de compra de jazidas e associações em Minas Gerais. A segurança dos sistemas de contenção de rejeitos era um detalhe que não merecia atenção na hora de fechar um negócio.

A mina Córrego do Feijão, onde explodiu a barragem, foi uma dessas compradas depois da privatização [a proprietária original era a Ferteco]. O desastre de Mariana foi em uma mina também comprada depois da privatização em associação com a anglo australiana BHP Billiton.

Para manter ou aumentar a produção de minério de ferro não era importante comprar essas minas. As expansões podiam ser na Serra do Carajás no sul do Pará. As minas lá estão numa área despovoada, as jazidas são mais uniformes e o minério é de alta qualidade e fácil de extrair. Há um ano entrou em produção por lá a mina conhecida como S11, que é de longe a maior jazida de minério de ferro de alto teor do mundo, onde foi implantada a maior operação de produção de minério de ferro do mundo. Só essa jazida, com um pequeno investimento adicional, pode compensar qualquer queda de produção em Minas.

Pressionados por seus patrões sempre voltados para o lucro, os engenheiros elaboram modelos matemáticos complicados, processados em computador, para decidir se é seguro construir uma barragem mais barata, a montante.  Modelo matemático é uma coisa séria e a matemática é uma ciência exata. Será? A   matemática pura é uma ciência exata, mas a matemática aplicada a um assunto tão complicado quanto a estabilidade de uma massa de rejeitos de mineração será também uma ciência exata? Peço vênia para afirmar que não.

Os modelos matemáticos precisam de parâmetros iniciais medidos em laboratório. Será que todas essas medidas são precisas ou algumas delas são daquelas em que a precisão se reduz a um ou dois números significativos? E a variação desses parâmetros no tempo à medida que o material se acumula? Será que é possível determinar?

E um fenômeno como esse da liquefação estática, que explodiu a barragem em Brumadinho? Será que pode ser encaixado num modelo matemático? Tudo indica que a consequência é aquela da qual já se falava no meu tempo, antes desses modelos matemáticos sofisticados: garbage in, garbage out [lixo entra, lixo sai].

A decisão final fica com aquele pessoal que tem na cabeça o que o Ruy tinha nas tripas. Estes Sacerdotes do Deus Mercado pensam que praticam uma ciência e vivem envolvidos com modelos matemáticos recheados de gráficos cartesianos e equações exponenciais. Idolatram enormes números sagrados que não tem relação com o mundo físico, mas voam com a velocidade da luz pela nuvem digital, criando uma hipnose coletiva neste primata bípede, agressivo e arrogante, que se julga controlado pela Razão e pensa que é o dono deste lindo Planeta Azul. 

Os cientistas de verdade não os levam a sério e até debocham deles na surdina, mas são forçados a obedecer porque, por enquanto, são eles que estão no poder. São eles que vão dizer se a barragem deve ser a montante ou a jusante e quando escolhem a montante seja o que o Deus Mercado quiser.

Há mais de duzentos anos a História humana é comandada por uma Ideologia Mercantilista, que começou com as idéias de pensadores importantes como Adam Smith, David Ricardo, Thomas Malthus e Karl Marx.

Quando foi fundada essa ideologia era compatível com a ciência do seu tempo, mas quando se consolidou no poder, tanto em sua versão capitalista quanto em sua versão marxista, se afastou da realidade do mundo físico tal como descrita pela ciência moderna e acabou se transformando nessa Idolatria do Mercado, sob a qual estamos vivendo. Nesta nossa Era Mercantilista todas as atividades humanas estão subordinadas a essa Idolatria.

A mineração é a atividade primeira. É com ela que começa a ser criada a base material de todas as sociedades. Brumadinho é uma ferida grave na mineração. Os responsáveis são os Sacerdotes do Deus Mercado. O abalo nesta atividade primeira irá balançar toda a estrutura, até o topo.

Para finalizar uma divagação. Estamos a bordo de uma situação mundial preocupante.  A crise na Venezuela faz lembrar a crise dos mísseis de Cuba em 1961. Naquele tempo os dois homens mais poderosos do mundo, um na Casa Branca e o outro no Kremlin, eram sensatos. Eles entraram num acordo e adiaram o Fim do Mundo. Hoje temos um comediante na Casa Branca e um espião no Kremlin.

Um acordo para evitar a guerra nuclear, como aconteceu em 1961, pode ser mais difícil. Hoje nem é preciso a ordem de um chefe maluco para desencadear uma catástrofe. Um erro humano ou uma falha em algum sistema pode desencadear o Armagedom. Os mísseis nucleares estão nos seus silos e pior ainda, nos submarinos nucleares que ninguém sabe onde estão.  

 Que o Deus Mercado tenha piedade de nós.

 __________________________________

O Autor: Francisco F. Assis Fonseca é engenheiro de Minas e Metalurgia, graduado pela UFMG em 1961. Trabalhou como Engenheiro de Produção, de jan.1962 a jun.1967, primeiro na ICOMI no Amapá, até set.1963 e depois na Mannesmann Mineração em Nova Lima MG até jun.1967. Ingressou na Vale como Engenheiro de Projetos em mar.1968. Em jul.1979 passou para o cargo de Superintendente, primeiro como Superintendente de Pesquisas até fev.1987 e depois como Superintendente de Meio Ambiente até mai.1990 quando passou a ser Assessor da Presidência. Deixou a Vale em jan.1991 e foi Consultor Independente até out. 1996, tendo prestado consultorias ao CETEM no Rio e à COPASA em Belo Horizonte.

Agradecimentos: Agradeço aos meus amigos os geólogos Breno Santos e Armando Cordeiro pelo incentivo e pelas valiosas informações durante a preparação desse texto.

Publicado em Ecologia
Quinta, 21 Fevereiro 2019 18:40

Pará com matéria prima

A Alcoa, maior produtora mundial de alumínio do mundo, decidiu reduzir em 250 milhões de reais o seu capital social, que era de R$ 6,3 bilhões para pouco mais de R$ 6 bilhões. A empresa adotou a medida por constatar que a conclusão dos seus investimentos recentes no Brasil proporcionou a geração de excesso de capital, com a acumulação de recursos de caixa. A Alcoa implantou uma mina de bauxita em Juruti, no Pará, de onde envia minério para a sua fábrica de alumina em São Luís do Maranhão. Graças ao início da mina, a fábrica maranhense teve a sua produção elevada de 270 mil para 1,4 milhão de toneladas. O Pará, mais uma vez, especializado na exportação de matéria prima.

Publicado em Estrangeiros
Segunda, 18 Fevereiro 2019 15:00

Mão única

A multinacional norueguesa Hydro, que possui, em Barcarena, a maior fábrica de alumina do mundo, publicou apenas no Diário do Pará, ontem, duas páginas de "informe publicitário" (matéria jornalística paga), sustentando a segurança da barragem de rejeitos da Alunorte, que teria dado causa a um acidente em fevereiro do ano passado. Nada em O Liberal. Por quê?

COMPLEMENTO

Errei: a Hydro publicou as duas páginas em O Liberal na sexta-feira, 15. Só agora, atualizando a leitura dos jornais, percebi. Desculpe, leitor.

Publicado em Ecologia
Segunda, 11 Fevereiro 2019 15:42

Hydro se excede

A Hydro Alunorte, maior produtora de alumina do mundo, de propriedade de uma multinacional norueguesa, instalada em Barcarena, propôs perante a justiça federal, em Belém, uma queixa-crime contra Marcelo de Oliveira Lima, pesquisador do Instituto Evandro Chagas, órgão vinculado ao Ministério da Saúde, com sede no Pará.

A empresa acusa o pesquisador pela prática dos crimes de calúnia e difamação contra si, através de opiniões manifestadas em entrevistas à imprensa que iriam muito além dos laudos produzidos sobre o acidente ocorrido há um ano, em Barcarena, com indícios de ter sido provocado por vazamento ou transbordamento de rejeitos da transformação da bauxita em alumina, o principal insumo do alumínio metálico.

A ação provavelmente vai morrer no nascedouro. O procurador federal José Augusto Torres Potiguar requereu ao juiz da 3ª vara federal a rejeição imediata – ou liminar– da ação. O representante do Ministério Público alegou não haver justa causa nem tipificação para as acusações da empresa, que teria mais o objetivo de intimidar o pesquisador do que de esclarecer a verdade.

A alegação procede. A Hydro diz que Marcelo manipulou os documentos produzidos pelo Evandro Chagas para atacar a empresa. Naturalmente, o próprio IEC seria o mais competente para dirimir a questão, porém a Hydro não acionou o instituto, investindo apenas contra o cidadão. É um direito dela de acioná-lo, mas serviria muito mais ao interesse público se viesse a público contestá-lo, debatendo todos os itens inseridos na ação. O recurso à justiça em questão de tal complexidade é um erro evidente.

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Quarta, 06 Fevereiro 2019 18:34

Albrás: lucro sem dividendos

A Albrás, a maior indústria de alumínio, instalada em Barcarena, teve um lucro líquido de quase 250 milhões de reais no exercício de 2017. Na época, os acionistas decidiram distribuir entre si metade desse valor (R$ 122 milhões) como dividendos. Em abril do ano passado, porém, eles reconsideraram a decisão, prorrogando o prazo para o pagamento desses dividendos.

No final do ano passado, a companhia foi além: ao invés de remunerar os acionistas, decidiu destinar esses recursos para uma reserva especial, deixando de partilhar os resultados do exercício de 2017. A nova decisão foi adotada para "preservar ao máximo o saldo de caixa da Empresa - devido às incertezas no fornecimento da matéria prima alumina, que pode resultar em situação de diminuição contínua da produção de alumínio em 2019".

Outro fator que pesou foi "a obrigação do pagamento integral da energia elétrica, conforme recomendação feita pelos Conselheiros da Companhia", em dezembro do ano passado. A Albrás é a maior consumidora individual de energia do Brasil.

Por causa do acidente na barragem de rejeito, em fevereiro do ano passado, a Alunorte foi punida com a redução de metade da sua produção de alumina, a maior do mundo. Como a alumina é o principal insumo na fabricação do alumínio metálico, a Albrás teve que reduzir também a sua produção em 50%.

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