Quinta, 22 Março 2018 11:43

Jatene perde. O Liberal também

O Liberal não admitiu explicitamente a derrota, mas teve que jogar a toalha e se curvar ao que já estava definido há tempos, mas o jornal da família Maiorana se recusava a reconhecer: Zequinha Marinho permanecerá como vice-governador do Estado até o final do seu mandato, em 1º de janeiro de 2019. A dúvida está em saber se será candidato ao Senado ou ao0 governo.

Se Simão Jatene renunciar, Zequinha assumirá o governo, que irá “repactuar”, para “colocar as coisas sob uma ótica administrativa, a fim de enfrentar a campanha eleitoral sem prejuízo à função principal, que é administrar o Estado do Pará”, conforme nota que divulgou ontem, formalizando uma decisão tomada há bastante tempo e já comunicada ao próprio governador.

Jatene, porém, não aceitou a opção do seu indesejado colega de administração, a quem nunca deixou de isolar e marginalizar. Por isso, ao longo dos últimos meses, o Repórter 70, a principal coluna de O Liberal, como a voz do dono, anunciava a definição do acordo desejado por Jatene, depois o adiava,. em seguida garantia que as coisas estavam sendo acertadas com a Igreja do vice, insinuando alguma compensação financeira, até, hoje, ao dar com destaque a confirmação da permanência de Zequinha Marinho.

Ele foi claro e direto na sua nota, lamentando “não ter como colaborar com o projeto do governador renunciando ao meu mandato”. Coloca-se à disposição “na construção de qualquer outra alternativa”. Tomou a decisão para ter condições “de andar na rua de cabeça erguida nesse difícil momento da política do Brasil”.

Ressalta que todo seu empenho tem sido em preparar sua candidatura ao Senado, depois de seis mandatos eletivos como deputado. Por isso, ficaria surpreso se o governador vier a renunciar para se candidatar, provavelmente a senador. Nessa hipótese, redefiniria a linha da sua campanha para disputar o governo, exercendo o comando da máquina pública estadual.

Poderia apoiar Jatene,  desde que ele desistisse de fazer o seu sucessor, é claro. Se a renovação da aliança for impossível, com quem se coligará? Estará disposto a enfrentar Helder Barbalho, o que se deduz do perfil que está montando para a sua candidatura?

São várias as hipóteses possíveis. Menos a que O Liberal declarou tantas vezes que estava fechada. O jornal perdeu mais uma vez,.

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Quinta, 22 Março 2018 11:42

A justiça fede

Ninguém consegue desmoralizar melhor a mais alta corte da justiça brasileira do que ela própria. O ato de ontem superou as piores expectativas. Dois ministros bateram boca como lavadeiras de beira do rio, com perdão das excelentes e bem humoradas profissionais, citadas aqui por força do ditado popular para definir uma discussão de baixo nível.

Os ministros do Supremo Tribunal Federal são pessoas experientes, têm história, estão na última fase da vida, quando a sabedoria e o bom senso servem de antídoto a deficiências próprias da idade. Além disso, os ministros estão no topo do serviço público, ao qual ascenderam por suposta conduta ilibada, dentre outras qualidades exigidas, hoje de consistência metafísica. Tinham que se respeitar. No mínimo, respeitar a opinião pública. Conter seus excessos e frear a língua, como verdadeiros servidores públicos.

O quiproquó de ontem tirou as últimas dúvidas de quem ainda as tinha: há ministros que se detestam, fazendo os piores juízos do colega de excelso pretório. O péssimo conceito não é apenas abstrato, de divergência: resulta de informações sobre o mau comportamento do outro, da indignidade do nobre colega, que usa seu cargo para defender interesses pessoais. Informações que só trazem a público quando se descontrolam.

O ministro Gilmar Mendes pode odiar o mundo, cheio de bílis e rancor, ter pitadas de psicopatia e qualquer enfermidade mental, como diagnosticou o ministro Luis Roberto Barroso. Conviver com ele é quase impossível, gritou Barroso, assumindo a condição de porta-voz dos outros 10 integrantes do STF, que, por emudecimento, pareciam delegar a reprsentação.

Gilmar Mendes acusou Barroso de mandar soltar cinco médicos acusados de praticar aborto, com essa decisão abrindo as portas para os “aborteiros”. E que favorece o seu escritório de advocacia, mesmo tendo dele se afastado. Barroso, tão apoplético na função de psicanalista do oponente, não foi além de insinuações e da repetição do que já é um dito popular: Gilmar Mendes é o libertador geral de bandidos.

Esse espetáculo deprimente é apenas a pá de lama (ou de outra matéria mais fedorenta) que estava faltando para impor ao STF uma devassa completa e revisão profunda da sua prática. Ou então afundar na completa desmoralização, o que pode acontecer hoje. Não mais – talvez – pelo pugilato verbal dos seus membros, mas pela decisão que tomar em relação a mais um habeas corpus para manter viva a candidatura de Lula à presidência da república, cidadão “mais igual” do que qualquer outro nacional.

Ministros falam demais, agem demais nos bastidores, se expõem em demasia e perderam o sentido da unidade de pensamento próprio, de respeito à doutrina e à jurisprudência, de coerência com as súmulas e a repercussão geral dos seus atos.

Uns ignoram o efeito dos seus abusos, como Gilmar Mendes. Outros estão empenhados em criar uma imagem de paladinos da justiça, como Barroso. Se os ministros não se recompuserem, será chegada a hora de declarar recesso na cobertura televisiva das sessões. Já bastam as estrelas da TV Globo, muito mais convincentes em seu histrionismo.

Alguma instituição ou alguma pessoa deve pegar cópia da sessão de ontem e submetê-la à instância competente (o CNJ, a corregedoria do STF. uma comissão de ética, uma CPI mista no congresso ou até organismo internacional) para apurar as acusações objetivas formuladas e, se chegar a responsáveis pelos ilícitos apontados, puni-los na forma da lei penal, sem aposentadoria proporcional)

A justiça brasileira falha. E fede. Má hora para de desmoralizar.

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Quarta, 21 Março 2018 11:38

O curso (livre) do golpismo na UFPA

O afastamento da então presidente Dilma Rousseff foi um golpe, do tipo parlamentar, e ponto final. Esta é a premissa, ou, para tentar dar uma tintura constitucional, a cláusula pétrea do “curso livre” (que já foi disciplina curricular e disciplina eletiva) que a Universidade Federal do Pará iniciará, no próximo dia 6 (não poderia ser cinco dias antes?), e que estenderá do 1º ao 2º semestre.

O leitmotiv e a razão de ser do curso é o golpe, magister dixt. Sim, são nada menos do que 54 professores da UFPA, em uníssono sobre essa questão. Há pinceladas de pluralidade e diversidade em relação a outras questões, que pincelam de pluralidade um projeto concebido para levar a universidade a um posicionamento político do interesse dos autores da iniciativa.

Quem frequentar o curso talvez devesse receber um diploma de soldado do antigolpismo no Brasil.

Eis a criatura, por fim.

CURSO LIVRE DA UFPA
O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil
Coordenação: Profa. Dra. Zélia Amador de Deus.
Corpo Docente: 54 Professores da UFPA.
Universidade Federal do Pará
Curso Livre
O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil
1º e 2º semestres de 2018
Sextas-feiras, das 17:00 às 19:00
Local: Auditório Benedito Nunes, Auditório José Vicente Miranda – ICJ e Auditório do ITEC

PROGRAMA DA DISCIPLINA
EMENTA
Apresentação. Comparação entre o golpe de 1964 e o golpe de 2016. Governos de esquerda e golpes na América Latina. Memórias da Ditadura. Lulismo e Anti-Lulismo. Democracia como Conceito, Democracia como Projeto. Os limites da representação política e a desdemocratização. O golpe no contexto do pensamento pós-colonial e da América Latina. Teoria econômica dos golpes na América Latina. 2013 e a Espetacularização da Política. O Imaginário Social Conservador. As eleições de 2014. O Golpe Midiático. O Judiciário e o Golpe. Soberania, Meio Ambiente e Projetos de Intervenção. As Minorias políticas. A Reforma Trabalhista e seus impactos no mundo do trabalho. Os ataques à Previdência e à Seguridade Social. A militarização da Segurança. É possível uma Imprensa Livre no Brasil? A questão urbana. Análise das eleições de 2018. A Educação Pública em perigo. A destruição dos Princípios da Reforma Sanitária. Movimentos sociais e Resistência. O Futuro da democracia no Brasil
OBJETIVO:
A disciplina tem quatro objetivos complementares: (1) Compreender os elementos de fragilidade do sistema social e político da América Latina e, especificamente, o caso Brasileiro; (2) Analisar os processos que levaram ao golpe, tendo como marco o impeachment da presidenta eleita Dilma Rousseff; (3) O impacto social e político de retrocessos de direitos e garantias do governo presidido por Michel Temer e (4) Avaliar as perspectivas da restauração da democracia política no Brasil.
Público-Alvo:Trata-se de um curso livre, aberto tanto à comunidade acadêmica quanto ao público em geral.

PROGRAMAÇÃO DAS AULAS

(SUJEITA A ALTERAÇÕES)

1. 06/04 – APRESENTAÇÃO DO CURSO: “Porque falar de golpe”? (Profa. Zélia Amador, ICA/UFPA), Local: Benedito Nunes, horário: 17 h.
2. 13/04 –Comparação entre o golpe de 1964 e o golpe de 2016. Governos de esquerda e golpes na América Latina(Profs. Pere Petit / Edilza Fontes, IFCH/FHIS), Local: Auditório do ITEC (a confirmar)
3. 20/04 – Mesa Redonda – Memórias da Ditadura (Profs. HecildaFontelles, Romero Ximenes, Zuleide Ximenes, IFCH), Local: Auditório do ITEC (a confirmar)
4. 27/04 – Lulismo e Anti-Lulismo(Prof. Gustavo Ribeiro, IFCH/PPGCP), Local: Auditório do ITEC (a confirmar)
5. 04/05–Democracia como Conceito. Democracia como Projeto (Prof. Jean-François Deluchey, ICSA/PPGCP-PPGD-PPGSS), Local: Auditório do ITEC (a confirmar)
6. 10/05 – PALESTRA DO PROF. LUIZ FELIPE MIGUEL (UnB) :O GOLPE DE 2016 E O FUTURO DA DEMOCRACIA NO BRASIL. LOCAL: Benedito Nunes (sujeito a consulta, o Sr. Almir ficou de conversar com o Sr. José Maria Bezerra Neto)
7. 18/05 –Os limites da representação política e a desdemocratização(Profa. Bárbara Dias, IFCH/PPGCP), Local: Auditório José Vicente Miranda – ICJ
8. 25/05 – Mesa Redonda – O golpe no contexto do pensamento pós-colonial e da América Latina (Profs. Edna Castro, Nírvea Ravena, e Sílvio Figueiredo, NAEA), Local: Auditório José Vicente Miranda – ICJ
9. 01/06–Teoria econômica dos golpes na América Latina (Prof. Cláudio Puty, ICSA/PPGE, Local: Auditório José Vicente Miranda – ICJ
10. 08/06 – Mesa Redonda – O Imaginário Social Conservador(Profs. Zélia Amador, ICA, Fábio Castro, ILC/PPGCOM e Danilo Fernandes, ICSA/PPGE), Local: Auditório José Vicente Miranda – ICJ
11. 15/06 – Mesa Redonda – 2013 e a Espetacularização da Política (Profs. Otacílio Amaral / Rosaly Brito, ILC/PPGCOM, Ana Lúcia Prado, NAEA), Local: Auditório José Vicente Miranda – ICJ
12. 22/06 – Mesa Redonda – As eleições de 2014 (Profs. Gustavo Ribeiro e Carlos Souza, IFCH/PPGCP), Local: Auditório José Vicente Miranda – ICJ, 13. 29/06– Mesa Redonda- O Golpe Midiático(Profs. Fábio Castro, Danila Cal, e Kalynka Cruz, ILC/PPGCOM-FACOM), Local: Benedito Nunes
14. 06/07–O Golpe Parlamentar (Prof. Bruno Rubiatti, IFCH/PPGCP), Local: Auditório José Vicente Miranda – ICJ
RECESSO
3
15. 10/08–O Judiciário e o Golpe (Prof. Antônio Maués, ICJ/PPGD), Local: Benedito Nunes
16. 17/08 – Mesa Redonda -Soberania, Meio Ambiente e Projetos de Intervenção(Profs. Solange Gayoso, ICSA/PPGSS, Rosa Acevedo, NAEA, Ari Loureiro, ICSA/FASS, André Farias, NUMA, e Jurandir Novaes,ICSA/FACECON), Local: Auditório José Vicente Miranda – ICJ
17. 24/08 – Mesa Redonda -As Minorias políticas (Profs. Zélia Amador, ICA, Fabiano Gontijo IFCH/PPGA,Luanna Tomaz, ICJ), Local: Auditório José Vicente Miranda – ICJ
18. 31/08 – Mesa Redonda -A Reforma Trabalhista e seus impactos no mundo do trabalho(Profs. José Raimundo Trindade, ICSA/PPGE, Vera Gomes, ICSA/PPGSS), Local: Auditório José Vicente Miranda – ICJ
07/09 = FERIADO DA INDEPENDÊNCIA
19. 14/09 – Mesa Redonda -Os ataques à Previdência e à Seguridade Social (Prof. Reinaldo Pontes, ICSA/PPGSS,…), Local: Auditório José Vicente Miranda – ICJ
20. 21/09 – Mesa Redonda -A militarização da Segurança (Profs.Luanna Tomaz, ICJ/PPGD, e Jean-François Deluchey, ICSA/PPGCP-PPGD-PPGSS), Local: Auditório José Vicente Miranda – ICJ
21. 28/09 – Mesa Redonda -É possível uma Imprensa Livre no Brasil?(Profs. Fábio Castro, Rosane Steinbrenner, Alda Cristina Costa, ILC/PPGCOM), Local: Benedito Nunes
22. 05/10 – Mesa Redonda – O golpe e a questão urbana (Profs. Juliano Ximenes, José Júlio Lima, Roberta Rodrigues, Raul Ventura Neto eAna Cláudia Cardoso, ITEC/PPGAU,Prof. Harley Silva, ICSA/PPGE, Profa. Maria Elvira Rocha de Sá, ICSA), Local: Benedito Nunes
07/10 1º TURNO ELEIÇÕES
12/10 NOSSA SENHORA DE APARECIDA
23. 19/10– Mesa Redonda -Análise das eleições de 2018(Profs. Gustavo Ribeiro, Carlos Souza), Local: Auditório José Vicente Miranda – ICJ
24. 26/10 – Mesa Redonda -A Educação Pública em perigo(Profs. Vânia Alvarez, ILC/FALE,Ronaldo Araújo, Genylton Rocha e Emina Marcia, NEB), Local: Benedito Nunes
28/10 2º TURNO ELEIÇÕES
02/11 FINADOS
4
25. 09/11 –Mesa Redonda –A destruição dos Princípios da Reforma Sanitária (Profs. Regina Feio e Socorro Castelo Branco, ICS/PPGSAS, e Paulo de Tarso, IFCH), Local: Auditório do ITEC (a confirmar)
26. 16/11 –Mesa Redonda – Movimentos sociais e Resistência(Profs. Sandra Helena Cruz e Marcel Hazeu– ICSA/PPGSS, Armando Lírio – ICSA/PPGE, …), Local: Benedito Nunes
27. 23/11 –O Futuro da democracia no Brasil – ENCERRAMENTO DO CURSO LIVRE, Local: Benedito Nunes.

Publicado em Educação
Terça, 20 Março 2018 11:34

Mudar para permanecer

O ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, faturou citação e foto na coluna de Alyrio Sabbá, na edição de hoje de O Liberal. Sua mãe, Elcione Barbalho, também apareceu na fotografia. A notícia foi a propósito da entrega de uma lancha que prestará serviços do INSS à população da ilha de Marajó. Até pouco tempo atrás, Helder e Elcione teriam sido ignorados pelo noticiário do jornal da família Miaorana.

A mudança pode ser considerada positiva: O Liberal aboliu um tratamento discriminatório antijornalístico, passando a publicar tudo que é notícia, incluindo aquelas de que os Barbalho participam. Mas seu procedimento pode ser a repetição do que aconteceu em 1990. O jornal fez então a campanha de Sahid Xerfan ao governo do Estado, apoiado pelo então governador, Hélio Gueiros, e hostilizou o quanto pôde o adversário, Jader Barbalho, que acabou vencendo.

A partir da eleição, tudo que dizia respeito a Jader sumiu do jornal. Quando a sua vitória tornou impossível que fosse ignorado, O Liberal apenas o tratava por governador. Logo acrescentou o nome de Jader. Em seguida, começaram a aparecer fotos dele. No momento seguinte, a cobertura passou a ser total. Claro: a propaganda oficial do Estado, autorizada por Jader, voltou a incluir os veículos das Organizações Romulo Maiorana.

A recomposição atual é apenas comercial ou envolve também alguma composição política? O grupo Liberal poderia vir a apoiar a candidatura de Helder Barbalho? Essa opção transformaria a família Maiorana em adversária do governador Simão Jatene, que tem sido farto (com o dinheiro público, naturalmente) em destinar publicidade oficial para os veículos do seu maior aliado na relação com a opinião pública em todos os seus mandatos.

Em duas semanas Jatene terá que decidir se permanecerá até o fim no governo ou se passará o seu cargo ao vice. Se ficar, estará de fora da eleição de outubro, perdendo a possibilidade de manter seu foro privilegiado. Se sair, correrá o risco de levar fogo amigo e descobrir que seus maiores parceiros trocaram de lugar, Tanto Zequinha Marinho, que talvez concorra ao governo, como o grupo Liberal, que agora recebe farta publicidade federal.

Tudo poderá mudar para tudo continuar na mesma.

Publicado em Imprensa
Segunda, 19 Março 2018 11:32

Cadê a Semas?

A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará foi a responsável pelo licenciamento ambiental da Hydro Alunorte e é o órgão competente para verificar se a empresa realmente cumpre as determinações da sua liberação. No entanto, foi atropelada pelos órgãos federais, tanto pelo Ibama, que não participou do licenciamento (já que a empresa atua exclusivamente no Pará), como pelo Ministério Público Federal.

A participação das duas instituições foi motivada pela caracterização do crime ambiental e, ainda que informalmente, pela incrível combinação de omissão e falha da Semas, encolhida desde que avalizou as falsas defesas apresentadas pela Hydro, de não ter havido culpa nem conhecimento do vazamento de lama vermelha.

A submersão da secretaria no silêncio tem novo desdobramento. Os ministérios público estadual e federal é que irão promover, ‘”em caráter de urgência”, na próxima quinta-feira, 22, audiência pública em Barcarena “para informar a população sobre as ações do MPPA e do MPF e as propostas para composição de um termo de acordo voltado a ações emergenciais que devem ser adotadas em relação às denúncias de vazamento de efluentes da planta industrial da empresa Hydro Alunorte”.

A audiência, diz nota da assessoria do MPF, “também visa colher críticas e sugestões destinadas a aprimorar a atuação do Ministério Público quanto ao assunto”.

A urgência do debate, segundo a promotora Eliane Moreira, deve-se ao fato de que “as comunidades relatam em seus depoimentos o consumo de água contaminada, intercorrências de saúde, bem como alterações graves no meio ambiente. Os relatórios técnicos apresentam dados e conclusões que confirmam os fatos denunciados pela comunidade, o que exige imediatas providências quanto a reparação, assistência e mitigação dos impactos socioambientais identificados”.

A audiência dará também oportunidade “para que a população participe relatando os problemas que enfrentam acerca do tema, para que desta forma, junto aos órgãos responsáveis, sejam definidas metas para buscar soluções o mais emergente possível”.

Na sexta-feira, o governador Simão Jatene foi à sede da Semas. Não para assumir diretamente o controle sobre a secretaria, por seu comportamento comprometedor com a seriedade e competência da administração pública. O governador esqueceu que ali está o olho do furacão institucional relativo ao problema. pegou seu violão e cantou. Como Nero, que pegou sua harpa e entoou seus versos diante de uma Roma que ardia.

Publicado em Ecologia
Sábado, 17 Março 2018 11:19

Cadê o jornalismo?

Simplesmente vergonhosa a cobertura do Diário do Pará de hoje ao assassinato da vereadora carioca Marielle Franco. A redação do jornal gerou um texto microscópico, com três estreitos parágrafos. Limitou-se a reproduzir declarações do comandante do Exército, general Villas Boas, sobre a interventor federal na segura.

Felizmente, o jornal da família Barbalho reproduz colunas e artigos da Folha de S. Paulo, que remediou o antijornalismo do Diário na questão. É mero relaxamento ou há alguma orientação do senador Jader e do ministro Helder para esquecer o tema? Alguma preocupação política com o presidente Michel Temer, o avalista dos recursos para a campanha antecipada de Helder ao governo do Estado?

O jornal mergulha de vez na função (antípoda) de porta-voz do pai e do filho políticos. É tanta matéria e tantos elogios que o leitor desavisado deve estar achando que são os mais ativos políticos do Brasil.

Já O Liberal deu o tratamento adequado, com três páginas internas e chamada na primeira página

Publicado em Imprensa
Sexta, 16 Março 2018 11:17

O preço da corrupção

A Petrobrás pagou mais de seis bilhões de reais para se livrar de ações propostas na justiça americana contra a empresa por acionistas nos Estados Unidos. Esses acionistas se consideram prejudicados pela repercussão da Operação Lava-Jato, que provocou baixa nas ações da petrolífera na bolsa de valores de Nova York, onde a maioria das suas ações ao público é negociada.

O dano cresceu depois que a estatal admitiu, em seu polêmico balanço de 2016, que a corrupção interna lhe causou prejuízo de R$ 6,2 bilhões – não por acaso, equivalente à perda que sofreu por causa das “class action”, submetidas a acordo e pagas no final do ano passado, o que afetou bastante o balanço da empresa relativo a 2017, cujos números foram apresentados ontem.

Certamente haverá quem logo grite contra o imperialismo estrangeiro e seus associados nacionais, que boicotaram a Petrobrás, e ao pessoal da Lava-Jato, estipendiado pelo dólar de Washington. Deviam acabar com o palavrório vazio e encarar com seriedade e honestidade os danos reais que a estatal está pagando pelo esquema de roubo montado por alguns dos seus dirigentes, políticos e empresários.

O opreço será ainda maior, à medida que a apuração continuar. E não será pago apenas pela Petrobrás. O cidadão brasileiro terá que entrar com sua cota em mais esse golpe, como já dão seu sangue os funcionários dos Correios, da Caixa e etc.

N~çao há corrupção metafísica.

Publicado em Economia
Sexta, 16 Março 2018 11:16

A retaliação

Os juízes e membros do Ministério Público federal tentaram retirar o fundamento meramente econômico da manifestação de protesto que realizaram ontem. Destacando que eles integram “as únicas categorias a não conseguir o reajuste do serviço público”. A medida caracterizaria “uma retaliação em função do combate à corrupção promovida por eles”.

Essa retaliação – “difusa, não aberta, e ainda mais perigosa”, segundo o procurador federal José Robalinho Cavalcanti) – “acaba por amedrontar e trazer intimidação”, no diagnóstico do também procurador Ângelo Fabiano da Costa.

Convenhamos: é suscetibilidade muito a flor da pele para quem começa a carreira jurídica com salário bruto de 27,5 mil reais e boas condições de trabalho nas capitais. Juízes e procuradores podiam continuar a lutar pelo reajuste proposto no ano passado, de 16%. Mas teriam que eliminar o auxílio moradia de todos que já possuem imóvel próprio ou moram nas capitais metropolitanas do país.

Se o ataque econômico serev de pretexto a retaliação dos poderosos que estão sendo processados no âmbito da Operação Lava-Jato, a melhor resposta de suas excelências seria acelerar a tramitação dos processos, conforme a lei, e sentenciar com o máximo de segurança e competência para tornar inócuos os recursos das defesas desses mafiosos.

A nação, penhorada, agradeceria.

Publicado em Justiça
Sexta, 16 Março 2018 11:13

O esquema do cachê

Cada deputado estadual tem uma cota anual de 1,5 milhão de reais para emenda parlamentar. Estabelecido o valor, o parlamentar oficia à Casa Civil da Governadoria do Estado, informando sobre quanto pretende destinar, para quem e para onde devem ir os recursos.

No caso do pagamento de cachê artístico, os deputados se articulam com as produtoras que mobilizam os artistas. Segundo um informante do setor, já há deputado com a sua produtora.

A mesma fonte assegura que os artistas, recebem, de fato, os pagamentos, mas, pelo que sabe, “sempre sobra um percentual que a produtora administra”. Ignora o destino final.

O irmão de uma ex-funcionária da Fundação Cultural do Pará, repassadora do dinheiro, seria dono de algumas dessas produtoras.

Publicado em Cultura
Quinta, 15 Março 2018 11:12

Maiorana com Barbalho?

A destituição de Romulo Maiorana Júnior do comando do grupo Liberal, que ele exerceu durante 31 anos, até setembro do ano passado, não provocou apenas mudanças internas profundas na empresa. Alterou também seu comportamento externo, sobretudo a relação com seu grande concorrente, o grupo RBA, da família Barbalho.

“Rominho” levou a competição comercial para uma rivalidade pessoal e um antagonismo político radical. O ex-presidente executivo das Organizações Romulo Maiorana assumiu por inteiro compromisso com os políticos tucanos, que comandam a política estadual há quase 20 anos (com um interregno petista de quatro anos, graças à eleição de Ana Júlia Carepa para o governo, com o apoio decisivo de Jader Barbalho).

No outro extremo, abriu guerra total contra os Barbalho, não só como donos de uma corporação de comunicação concorrente, mas também como políticos. A trajetória, a partir de 1986, quando Romulo Jr. substituiu o pai, que morreu em abril desse ano, foi de escaramuças contínuas e cada vez mais violentas.

Os cinco irmãos, que depuseram “Rominho”, mudaram a orientação. Passaram a tratar os assuntos do PMDB e da família Barbalho conforme a sua relevância no noticiário, dando à cobertura dos antigos inimigos mortais um tratamento objetivo, jornalístico. E estabeleceram pontes para conversas e entendimentos, indiretos e diretos.

Os noticiários de ontem da televisão e de hoje do jornal estão contidos nessa diretriz jornalística ou avançaram mais um pouco, no rumo de uma composição de interesses? Por enquanto, à falta de melhores informações de bastidores, não é possível apresentar uma resposta. Mas a impressão é de que a objetividade ficou atrás do tratamento favorecido, do qual pode resultar um entendimento ao mesmo tempo empresarial e político.

A hipótese a ser testada é: os novos controladores do grupo Liberal, à frente Ronaldo Maiorana e Rosângela Maiorana Kzan, estão saindo da nau tucana, na qual navegaram proveitosamente nas duas últimas décadas, e buscando outro rumo? Esse rumo pode ser o do PMDB?

A novela que começa agora em terras parauaras nada fica a dever aos rocambolescos enredos da TV Globo, a matriz do futuro – ao menos do império das comunicações – do grupo Liberal.

Publicado em Imprensa