Quarta, 02 Janeiro 2019 16:54

Acabar com as milícias

A ação durou apenas 18 minutos, no início da noite de ontem, no bairro da Cabanagem, um dos mais violentos da periferia de Belém. Ao final, cinco jovens estavam mortos. Quatro homens, todos encapuzados, saíram de um carro, já atirando, atingindo três vítimas. Quem tentava fugir era perseguido. Um deles, já ferido, foi morto, com muitos tiros, dentro da casa de um vizinho, onde tentou se abrigar, . O mesmo procedimento se repetiu em outros dois pontos do bairro.

No total, cinco mortos por execução direta, aparentemente por milicianos, que parecem seguir um roteiro com base em registros policiais, mas atiram aleatoriamente em quem encontram, tenha ou não antecedentes criminais. Uma típica vingança. No caso, provavelmente, relacionada à morte do cabo da Polícia Militar Davi Ortega Lira Monteiro, que aconteceu na véspera, em outro bairro, o Parque Verde.

O novo governador poderia demonstrar que os tempos são outros pedindo a formação de uma força-tarefa especial e a instruindo pessoalmente para dar início ao fim das milícias armadas da região metropolitana de Belém, no mais curto espaço de tempo.

Publicado em Polícia
Quarta, 02 Janeiro 2019 16:47

Governos passam, o crime fica

Enquanto Helder Barbalho tomava posse como o novo governador do Pará, ontem, pelo menos cinco pessoas foram assassinadas na periferia da capital. Os crimes foram praticadas em vários pontos do bairro da Cabanagem. Num dos locais, houve triplo homicídio. Todas as vítimas eram jovens, com idades entre 20 e 28 anos, executados por homens encapuzados, que deram muitos tiros. Eles usaram dois carros: um HB-20 branco e um carro prata.

O governador considerou mera coincidência a matança com sua posse, diante da rotina desses fatos. O episódio não seria “uma afronta ao governo que está começando”, mas sim “uma afronta ao Estado”.

“É a absoluta certeza de que a ausência do Poder Público permite que se estabeleça o poder paralelo, independente de quem é o governante. E eu não permitirei de maneira alguma”, declarou. “Não é possível que continuemos a conviver com esta cultura do temor de carro prata, preto, milícia, tráfico e o Estado não agir em favor da sociedade e agir com pulso forte, pulso firme”, completou.

Para comprovar essa disposição, dedicou a manhã de hoje a uma reunião com os integrantes de segurança pública, para anunciar que vai garantir mais 400 agentes da segurança nas ruas de Belém no combate ao crime. O reforço virá da Força Nacional, que atuará conforme planejamento sustentado pela análise dos índices de violência, apurados em 2018, que permitiriam um combate eficaz. Eles revelaram que 36 municípios concentram 80% da criminalidade.

A Força Nacional atuará em bairros específicos da capital e nas cidades do interior já identificadas como os de maior incidência de violência, que são: Belém (Terra Firme, Guamá, Benguí, Cabanagem, Outeiro e Icoaraci), Castanhal, Abaetetuba, Altamira, Santarém, Marabá e Redenção.

A participação da Força Nacional tem se mostrado de pouca ou nenhuma eficácia, mesmo quando tem imediato – mas efêmero – efeito positivo. Não basta aumentar o contingente policial-militar: é preciso modificar as condições operacionais e sociais dos agentes estatais. Sem considerar as medidas de resultados mais sólidos, porém, demorados e custosos.

Se os criminosos não mandaram um recado específico ao novo governador com a matança de ontem, podem ter repetido o que vêm dizendo com a sua prática sistemática: a mudança de governo não altera o poder, a audácia e a selvageria do crime organizado em Belém e no Pará todo, assolado por índices elevados de homicídios violentos.

Continuará assim enquanto a passagem da teoria à prática e da promessa aos fatos não seguir o fio condutor da seriedade, honestidade e competência.

Publicado em Polícia
Quinta, 20 Dezembro 2018 15:29

Agressão

O vídeo é chocante. Durante cinco minutos, as câmeras de segurança de um condomínio residencial em Vitória documentam a agressão de Rodrigo Maia a um homem muito mais velho do que ele, um idoso. O espancamento começa dentro do elevador e prossegue na entrada do prédio. Depois de derrubar sua vítima, o agressor monta nela e e a espanca descontroladamente, até que desmaie. Quando o idoso recupera a consciência e tenta se levantar é novamente agredido – fisicamente e moralmente – pelo homem mais novo, que grita impropérios e o ameaça com dedo em riste. O idoso fica imóvel.

O agressor é Repórter da TV Gazeta, afiliada da rede Globo no Espírito Santo. a direção da emissora informou que o afastou imediatamente, por não admitir violência, até a apuração dos fatos. Pois deveria tê-lo demitido de pronto. A truculência e selvageria do repórter é incompatível com a função de jornalista. E com a condição humana. Com a pronta demissão, a TV Gazeta teria demonstrado a repulsa coerente com os fatos exibidos no vídeo. E criaria a regra para tratar desse tipo de situação.

Publicado em Imprensa
Segunda, 17 Dezembro 2018 15:20

Brutalidade

O homem, de 41 anos, os cabelos ralos completamente brancos, chora desconsoladamente. Hugo Klein Júnior acabara de chegar de Santa Catarina, onde mora com a família, para reconhecer e liberar o corpo do pai, Hugo Ernesto Klein, de 71 anos, de quem era filho único. O pai era dono de um dos pedalinhos da lagoa Rodrigo de Freitas, ponto nobre do Rio de Janeiro.

O empresário foi morto com um tiro certeiro de pistola ponto 40 pelo carona de uma moto, no início da madrugada de hoje. Depois de matar, o assaltante levou a renda do dia, que era muito boa, e fugiu. De início, a polícia levantou duas pistas: execução ou latrocínio.

Mas para Hugo Filho, que não para de chorar, sofrido, o mais importante é que o pai foi morto quando trabalhava. Lembrou que antes um assaltante se contentava em roubar. Agora, chega e mata.

Sensibilizado pela situação, faço este registro indignado.

Publicado em Segurança Pública
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