Quinta, 27 Setembro 2018 10:34

Juiz manda soltar Maiorana

O juiz Heyder Tavares Ferreira considerou inadequada a prisão preventiva de Giovanni Maiorana, requerida pelo delegado da polícia civil Everaldo Dias Júnior, que o prendeu em flagrante delito, logo depois que Maiorana, dirigindo um automóvel de luxo, matou duas pessoas e feriu uma terceira pessoa, um motorista de táxi. Em alta velocidade, colidiu com cinco carros, três dos duais ficaram praticamente destruídos, ao trafegar por uma das principais avenidas de Belém, pouco depois das quatro horas da madrugada de hoje.

O juiz determinou a soltura de Maiorana, menos de 12 horas depois do crime, mediante o pagamento de fiança de 500 mil reais e exigências regulamentares para mantê-lo sob controle.

Na sua decisão, o juiz frisou, “inicialmente”, que, “neste momento, ainda de forma indiciaria, restam dúvidas no tocante à suposta alcoolemia do flagrado”. O empresário, filho de Romulo Maiorana Júnior, vice-presidente do grupo Roma, dirigido pelo pai, “teria se recusado a se submeter ao teste do etilômetro” (na verdade, simplesmente se recusou a passar pelo bafômetro, apesar do “evidente estado de embriaguez”, declarado pelo delegado e por testemunhas).

O juiz observou que não constava nos autos da prisão em flagrante perícia médica do Centro de Perícia Científica Renato Chaves, requerida pelo delegado, “a qual poderia concluir de maneira técnica se o flagrado encontrava-se em estado de embriaguez e em qual nível estaria alterada sua capacidade motora”. Apesar disso, o magistrado não mandou o criminoso para a perícia antes de lhe conceder a liberdade provisória.

Desta forma, concluiu o magistrado, “entendo inadequada a imediata recapitulação penal requerida pelo representante do Ministério Público, sendo própria da instrução criminal”.

Argumentou o juiz da 1ª vara de inquéritos policiais e medidas cautelares de Belém: “A despeito da notória gravidade e da reprovabilidade social do comportamento do recorrente (suposta embriaguez ao volante), a ensejar, se demonstrada a imputação, correspondente e proporcional sancionamento penal – haveria de ser analisada a existência ou não de meios outros, que não a prisão preventiva, que pudessem, com igual idoneidade e eficácia, satisfazer as exigências cautelares do caso analisado, com carga coativa menor”.

Para Heyder, “o juiz somente deve decretar a medida mais radical – a prisão preventiva – quando não existirem outras medidas menos gravosas ao direito de liberdade do indiciado ou acusado, por meio das quais seja possível alcançar, com igual eficácia, os mesmos fins colimados pela prisão cautelar”.

No atual ordenamento constitucional, “a liberdade é a regra, e sendo o réu primário de bons antecedentes, não se justifica sua prisão”, sentenciou. E assim mandou soltá-lo imediatamente.

Publicado em Justiça
Quinta, 27 Setembro 2018 10:33

Prisão preventiva para Giovanni Maiorana

O delegado Everaldo Dias Negrão Júnior já pediu à justiça que converta em prisão preventiva a prisão em flagrante delito de Giovanni Ricardi Chaves Maiorana, efetuada hoje de manhã, em Belém. O delegado diz que o vice-presidente do grupo Roma, comandado por seu pai, Romulo Maiorana Júnior, foi autuado em flagrante depois de atropelar e matar duas pessoas, colidindo ainda com cinco veículos estacionados na avenida Gentil Bittencourt, ao dirigir, em alta velocidade e com sinais evidentes de embriaguez, um carro de luxo. Outra pessoa foi ferida e se encontra hospitalizada.

O delegado assegura estar “comprovada autoria e materialidade” do crime. A permanência do criminoso em liberdade oferece “risco concreto a bens jurídicos alheios”. Sua prisão preventiva é considerada garantia da ordem pública, por conveniência da instrução criminal e para garantir a execução da lei penal. O delegado, responsável pelo inquérito policial ma Seccional de São Braz, informa que Giovanni se encontra à disposição da justiça “no sistema penitenciário do Estado”;

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Quinta, 27 Setembro 2018 10:30

Giovanni Maiorana mata dois

O empresário Giovanni Maiorana matou duas pessoas na madrugada de hoje. Com sinais evidentes de embriaguez, ele atropelou uma jovem de 19 anos e um senhor. Dirigia em alta velocidade o seu carro de luxo pela avenida Gentil Bittencourt. Havia garrafas de cerveja dentro do veículo. A moça morreu na hora. Alessandro Guedes da Silva ainda foi levado para o hospital, mas não resistiu. Antes de atingir os dois, o automóvel dirigido por Giovanni colidiu com cinco veículos que estavam estacionados na avenida.

Giovanni é filho de Romulo Maiorana Jr.. Acompanhou o pai quando, no ano passado, ele se desligou do grupo Liberal, por conflito com os irmãos, e formou o grupo Roma, do qual o filho é o vice-presidente. Giovanni foi enquadrado pela polícia pela prática de homicídio culposo e lesão corporal culposa, mas, em casos com essa gravidade, a justiça começou a capitulá-lo em crime doloso, mesmo que não haja a intenção deliberada de matar. É para punir quem mata por excesso de imprudência, imperícia ou responsabilidade. Crime cada vbez mais comum em Belém – e frequentemente impune

O portal de notícias do grupo Liberal, o G1, publicou a notícia (que ainda não apareceu no Dol online, do Diário do Pará), que reproduzo.

Um grave acidente de trânsito registrado no início da manhã desta quinta-feira (27) provocou a morte de uma jovem de 19 anos e de um homem no bairro de São Brás, em Belém. O motorista de um carro de luxo colidiu contra cinco veículos na avenida Gentil Bittencourt com a travessa Castelo Branco e deixou ainda uma terceira pessoa ferida no acidente.

O condutor é o empresário Giovanni Chaves Maiorana, vice-presidente do Grupo Roma. Segundo os policiais militares que registraram o boletim de ocorrência, ele estava visivelmente embriagado. Dentro do carro dele foram encontradas latas de cerveja.

Uma das vítima foi identificada como Gabriela Cristina Jardim da Costa, de 19 anos. Ela estava em um ponto de táxi quando foi atingida e não resistiu. A outra vítima foi Alessandro Guedes da Silva, ele chegou a ser levado para o Hospital Metropolitano, mas também não resistiu aos ferimentos.

Após o acidente, Giovanni foi detido e levado para a Seccional de São Brás. Ele foi encaminhado para fazer exame de dosagem alcoólica no Instituto Médico Legal (IML), mas se recusou a fazer o teste. A recusa não altera a autuação, já que os sintomas de alcoolemia eram visíveis, de acordo com a polícia.

Segundo a Polícia Civil, o empresário vai responder pelos crimes de homicídio culposo e lesão corporal culposa, na direção de veículo automotor, sob efeito de álcool ou qualquer outra substância psicoativa que determine dependência. A pena é de reclusão de cinco a oito anos, sendo que não cabe fiança para pena acima de quatro anos. Ele será levado para a Central de Triagem da Cremação, onde vai aguardar a audiência de custódia.

A defesa do motorista informou a reportagem do G1 que ainda não vai se pronunciar sobre o caso.a

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Quinta, 27 Setembro 2018 10:27

Sangue impresso

O caderno de polícia do Diário do Pará circulou hoje com fotos de cinco cadáveres. Não é o recorde. O jornal já foi mais sangrento. O impressionante é a foto de um homem morto ocupando toda a primeira página do tabloide, sem tarja alguma ocultando seu rosto e protegendo a sua identidade. A mesma foto foi reprisada, com o mesmo tamanho, em página interna.

Iuri Silva de Moura, de 25 anos (23 segundo o portal DOL online, 24 de acordo com O Liberal), tão desatento estava e tão de surpresa foi atacado e morto com quatro tiros, à queima roupa, que  morreu de olhos abertos. E assim tem a sua imagem impressa no papel do jornal do senador Jader Barbalho e do seu filho, o ex-ministro Helder Barbalho, candidato ao governo do Estado, além da deputada federal Elcione Barbalho, que busca a reeleição.

Iuri esperava a mãe, encostado na parede da casa dela. A mãe (cujo nome nenhum dos jornais sequer anotou) o chamara para ajudá-la a carregar as compras do supermercado próximo, no bairro do Tapanã, em Icoaraci, distrito de Belém. Provavelmente o filho chegou um pouco mais tarde. Por isso, a esperava quando dois homens se aproximaram, numa moto (o Diário diz que estão uniformizados, sem se dar ao trabalho de explicar ao leitor o que isso significa). O passageiro desceu e fez os disparos.

A mãe chegava nesse momento. Testemunhou o crime sem identificar o filho como a vítima. Era apenas mais um dos assassinatos cotidianos, executados como rotina na periferia de Belém e na sua região metropolitana, uma das áreas mais violentas do planeta. Ela defendeu a honra do filho, negando que fosse criminoso. Fora apenas chamado para prestar explicações a uma unidade integrada do Propaz no bairro. Simplesmente estava desempregado, como 13 milhões de cidadãos no país do futuro.

Isto feito, o Diário do Pará deverá seguir em frente, farejando mais sangue para exibir aos seus leitores de instintos à flor da pele, como um açougue humano à cata de sensacionalismo para vender mais. Como reagiriam os donos do jornal, uma família que pede ao povo que lhe conceda cargos públicos eletivos, se o drama fosse com seus integrantes? Não admitem a extensão aos demais cidadãos dos direitos que consideram seus?

Bem que um escritório de advocacia, à falta de iniciativa de órgãos públicos e instituições da sociedade civil, poderia patrocinar a cobrança de direito de imagem e indenização por pessoas do povo que são exploradas dessa forma vil, como simples meio de negócio comercial. Ou pro bono (gratuitamente) ou mesmo profissionalmente. Diante desse mercado negro dos “presuntos”, explorados pelo Diário do Pará (O Liberal adotou uma linha editorial mais respeitosa), não faltaria demanda. Assim, quem pratica esse abuso sentiria o efeito naquela parte que Lord Keynes disse ser a mais sensível do corpo humano: o bolso.

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Terça, 11 Setembro 2018 20:23

Prossegue ação contra Gueiros

O desembargador Raimundo Holanda Reis, da 3ª turma de direito penal do Tribunal de Justiça do Pará, rejeitou liminarmente o pedido de exceção de suspeição da defesa de Hélio Gueiros Neto contra a juíza Rubilene Silva Rosário, da 1ª vara do juizado de violência doméstica contra a mulher, que se negara a aceitar a alegação contra ela. Gueiros está sendo processado por crime de feminicídio. Ele teria assassinado sua esposa por asfixia, em 2017. O réu nega o crime. Diz que a morte de Renata Cardim foi por causa natural.

O desembargador também manteve a sua decisão, de maio, quando contestado por recurso dos advogados do neto do ex-governador Hélio Gueiros, por entender que não foram preenchidos os requisitos legais.

A defesa alegou que fora demonstrada a parcialidade da magistrada de primeiro grau, por ter dado tratamento desigual às partes, caracterizando quebra de imparcialidade. A juíza “permitiu que fosse contraditado, pelo assistente de acusação [da família da ex-esposa de Gueiros], a peça defensiva apresentada pelo réu, bem como deferiu diligências solicitadas pelo referido assistente, quando do oferecimento da denúncia, não tendo aberto o mesmo prazo para que a acusação complementasse suas diligências”.

Argumentou também que a juíza “admitiu médicos contratados pela defesa na condição de assistentes técnicos, mas entendeu que o profissional contratado pelo assistente de acusação deveria ser ouvido como perito”.

Aduziu ainda, como demonstração de parcialidade da juíza Rubilene Rosário, que “outras diligências que foram deferidas a parte acusatória e indeferida à defesa”.

O desembargador disse que a defesa de Gueiros “confundiu-se totalmente nos fundamentos levantados quanto a impossibilidade deste Relator em rejeitar liminarmente a exceção de suspeição”. Sustentou que o dispositivo alegado para a reação “nada tem haver com a pretensão”.

Para ele, a defesa de Gueiros não trouxe qualquer uma das hipóteses que poderiam sustentar a alegação a suspeição da juíza. Por se mostrar “completamente improcedente”, a exceção foi rejeitada liminarmente, o que fez o processo prosseguir, estando na fase final de instrução.

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Terça, 11 Setembro 2018 20:20

O caso Hélio Gueiros Neto

Simplesmente passo a palavra a Mônica Gueiros, mãe de Hélio Gueiros Neto, neto do ex-governador Hélio Gueiros e filho do vex-vice-governador Hélio Gueiros Júnior, reproduzindo na íntegrao texto que publicou no seu Facebook. Voltarei ao assunto.

Hoje, dia 10 de setembro, às 9:00 horas, retomam os trabalhos de audiência na Ação em que meu filho, Hélio Gueiros Neto, é acusado pelo nobre promotor Edson Cardoso de Souza de feminicídio. Essa audiência continuará até o dia 14 de setembro perante a 1ª Vara da Violência contra a Mulher no Fórum Criminal de Belém. Estarei presente, com a graça de Deus e a permissão do Excelentíssimo Desembargador, Ricardo Nunes, presidente do Egrégio Tribunal de Justiça, que me esclareceu o fato de que em prédio público eu e meus familiares não podemos ser impedidos de entrar, ficando a critério da titular da Vara a minha presença  na sala de audiências. Poderei, enfim, prestar solidariedade e conforto a meu filho nesse momento de angústia.

Peço novamente, aos queridos e às queridas, uma corrente de orações, apesar de saber que Deus está no comando de tudo, como bem diz o Salmo 140: “Livra-me, ó Senhor, do homem mau, guarda-me do homem violento, que pensa o mal no coração; continuamente se ajuntam para a guerra. Aguçaram as línguas, com a serpente o veneno das víboras está debaixo de seus lábios. Guarda-me, ó Senhor, dos males dos ímpios, guarda-me do homem violento, os quais se propuseram a transformar os meus passos…”,

O sofrimento, que eu e minha família estamos passando, é atroz. Somos cristãos. Sempre levei meus filhos à Igreja para terem os ensinamentos de Jesus, por isso acredito no tempo de Deus e que tudo isso vai terminar, “porque guardei os caminhos do Senhor, e não me apartei impiamente do meu Deus (Salmo 18)”.

Como eu disse, hoje poderei acompanhar o meu filho, porque solicitei e fui atendida, queria poder compartilhar tudo do processo com vocês, mas, infelizmente, o segredo de justiça impede. Acredito ser inusitado um réu querer demonstrar tudo e não poder. Faço, mais uma vez, esse pedido à titular da Vara: Deixe que todos saibam o que ocorre na Ação. O meu filho não tem medo da verdade.

Espero, amigos, contar com o carinho de sempre.”

“EXCELENTÍSSIMO DOUTOR DESEMBARGADOR RICARDO NUNES, PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARÁ

MONICA ZOGHBI PINHEIRO GUEIROS, cidadã brasileira, casada, funcionária pública, residente e domiciliada à Av. Governador José Malcher, n° 1424, apartamento 501, Nazaré, Belém, Pará, vem, respeitosamente, SOLICITAR a Vossa Excelência que, na qualidade de presidente deste Egrégio Tribunal, GARANTA o meu ingresso, no dia 10 de setembro de 2018, nas dependências do Fórum Criminal de Belém – como é permitido a qualquer outro brasileiro – até à porta da sala de audiências do Juízo Criminal da 1ª Vara de Violência Doméstica para que possa acompanhar o meu filho HÉLIO GUEIROS NETO, que vem, apesar dos laudos do IML que atestam ter sido a morte de sua mulher, RENATA GUEIROS, natural, sendo processado por Feminicídio, pelos fatos a seguir expostos:

No dia 18 de abril passado, iniciou-se a audiência na Ação de FEMINICÍDIO, perante a 1ª Vara da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, que tem como titular a excelentíssima doutora RUBILENE SILVA ROSÁRIO, na qual meu filho foi denunciado pelo nobre promotor EDSON AUGUSTO CARDOZO DE SOUZA.

Duas ausências se fizeram sentir. O nobre promotor, sem motivo aparente, abandonou o processo, depois de prometer a uma televisão local que mandaria meu filho ao ominoso banco dos réus (quero acreditar que o nobre membro do Parquet encontra-se arrependido da injustiça que cometeu), tendo sido substituído por novo promotor. Ausente, também, a nobre titular, doutora RUBILENE SILVA ROSÁRIO, mais uma vez adoentada, que foi substituída pelo saudoso doutor ELDER LISBOA. Este, depois de ouvir a mãe da falecida, remarcou a continuação da audiência para o dia 10, 11, 12, 13 e 14 de setembro do corrente ano.

O processo, que deveria ser público, corre em segredo de justiça, não sendo permitido, portanto, que eu possa adentrar a sala de audiências. Não se consegue, contudo, entender, o que motivou o militar, chefe da segurança do prédio do Fórum Criminal, impedir apenas a mim, mãe do acusado, a sua avó, Therezinha Gueiros, ex-primeira dama do estado e ex-secretária de educação, além de alguns outros familiares, como uma tia, professora Ruth Moraes, ex-pró reitora da UFPA., todos, sem exceção, maduros e distintos membros da sociedade paraense, incapazes de qualquer ato violento ou escandaloso que pudesse justificar tamanha arbitrariedade. Por outro lado, constatei que todas as demais pessoas, sem qualquer exceção, inclusive familiares e empregados de quem acusa o meu filho, puderam entrar nas dependências do prédio, sem qualquer constrangimento.

Por ser conhecedora da vossa excepcional capacidade intelectual, do brilhantismo jurídico e da condução séria, rígida, mas humana, da administração deste Egrégio Tribunal, do vosso apreço pelos direitos fundamentais da pessoa humana, requeiro a Vossa Excelência que permita que eu e os meus familiares, que desejem ser solidários a meu filho neste momento de angústia pela tamanha injustiça que lhe é cometida, possam acompanhá-lo e confortá-lo, pelo menos até os corredores do Fórum Criminal, como é permitido a todas as demais famílias desse Brasil.

Senhor Presidente, não vede as portas do Fórum Criminal apenas à minha família. Isso não é justo. É um pedido de uma mãe que já sofreu demais.

Nestes Termos,

Pede Deferimento.

Belém, 30 de agosto de 2018

MÕNICA ZOGHBI PINHEIRO GUEIROS”

Publicado em Justiça
Segunda, 10 Setembro 2018 20:15

Quem julgará Sefer?

Sete desembargadores de duas turmas penais (2ª e 3ª) do Tribunal de Justiça do Pará se declararam impedidos de participar do julgamento de um recurso apresentado à corte pela defesa do deputado estadual Luiz Afonso Proença Sefer, segundo uma fonte do setor.

O parlamentar, acusado de estupro de vulnerável, foi condenado a 21 anos de prisão em primeiro grau. Mas conseguiu anular a decisão através de recurso ao TJE, por 2 a 1, com os votos dos desembargadores João Maroja (já aposentado) e Raimundo Holanda Reis (ainda na ativa e que seria um dos que agora arguiu a própria suspeição).

O Superior Tribunal de Justiça anulou a decisão do tribunal paraense, mandando devolver-lhe o processo para novo julgamento, mantendo a sentença de origem. A defesa de Sefer recorreu da decisão, recurso ainda não apreciado diante dos sucessivos pedidos de afastamento dos magistrados. Os autos foram remetidos para o último integrante da 2ª turma, desembargador Milton Nobre, que já foi presidente do TJE.

Por causa da repercussão do caso, Sefer decidiu não concorrer à reeleição para a Assembleia Legislativa do Estado. Para ocupar o seu lugar, apresentou a candidatura do filho, que é vereador de Belém. Gustavo Sefer chegou a ser tido como abusador da menina, violentada dos 9 aos 13 anos, quando vivia na casa do deputado, que a teria estuprado e mantido relações sexuais com ela ao longo de quatro anos. Mas foi excluído do processo. O pai nega a autoria do crime.

ATUALIZAÇÃO

O processo contra o deputado tramita em segredo de justiça. O caso mostra a necessidade de rever esse conceito. O segredo protege muito mais o criminoso, ao impedir a divulgação dos fatos e permitir à opinião pública acompanhar o processo em cima. Justamente para evitar a impunidade.

Publicado em Política
Sábado, 08 Setembro 2018 17:10

A violência em Belém

A criminalidade em geral e o homicídio em particular nunca foram questões sociais tão graves no Brasil como agora. Não só pelos índices quantitativos como pela incrível multiplicidade de formas objetividades e subjetividades causais que vem assumindo.

Parece que os crimes chegaram ao limite da tipificação pelo seu grau de violência e de inovação que assumem. Parece que as variedades possíveis se exauriram e a barbárie chegou ao fundo do poço. Logo, porém, aparece um procedimento novo, uma situação inédita, uma variação surpreendente.

A amplitude de tipos é tal que o homicídio, sem nunca deixar de ser uma questão social, adquire uma autonomia desafiadora. As explicações tradicionais e os meios de combate convencionais deixam de ser satisfatórios e eficientes.

Daí a insegurança concreta – e também a sensação de insegurança – que se expande na sociedade. Os cidadãos buscam e não encontram um novo porto seguro para nele ancorar a sua vida, exposta a elementos imponderáveis e imprevisíveis, em um mar revolto. A insegurança coletiva dá causa a episódios e fenômenos, incluindo na política o fascismo, que se infiltra nas estruturas de poder.

A imprensa tem um papel relevante diante do agudo problema. Em particular, no Pará. Os veículos de comunicação no Estado dão tempo e espaço enormes às matérias ditas de polícia, mas, na esmagadora maioria dos casos, para delas tirar apenas proveito comercial, vendendo mais jornais ou maior audiência para obter mais anúncios.

O sensacionalismo é praticado pelo uso de fórmulas prontas e clichês de linguagem e de apuração dos fatos que em quase nada contribuem para o melhor conhecimento da criminalidade e da sua forma mais extrema, a matança de pessoas. O crime é negócio no seu cometimento pelos criminosos e na sua utilização pela mídia.

Dou um exemplo a partir da edição de hoje de O Liberal (o Diário do Pará nem pode servir de parâmetro; seu noticiário costuma ser um registro pobre e viciado da crônica policial). A notícia é sobre um feminicídio cometido ontem de manhã em Icoaraci, distrito de Belém.

Aparentemente, um fato que, mesmo sendo brutal e revoltante, já se tornou corriqueiro, quase trivial. Um ex-companheiro (não se sabe se ex-marido, se participante de uma relação estável ou qualquer condição legal), de 42 anos, matou com cinco facadas fatais no pescoço, sua ex-companheira, de 45 anos. Atacou-a quando ela estava dentro da casa de parentes, onde se abrigara dias antes.

Pelo noticiário, fica-se sem saber ao certo se Ivone Maria Siqueira saíra de Ourém, seu domicílio permanente, para escapar do assédio de Oscar Oliveira, que insistia em restabelecer a relação (ou o casamento). Ou se queria visitar o filho mais velho, de 19 anos (a filha ficou em Ourém). Ou as duas coisas.

Os dois estavam juntos havia mais de 20 anos. O jornal reproduz versão de parentes e amigos de que viviam bem, apesar de separados. No entanto, Oscar ameaçava se suicidar. Ele teria tentado mesmo se matar depois de dar as cinco facadas violentas e matar no ato a mulher, usando a faca.

Mas não cometeu o ato, não se sabe porque desistiu ou impedido pelo irmão (não se sabe se mais velho ou mais novo), que, aparentemente, estava no local e manteve Oscar detido até a chegada da Polícia Militar, que fez o flagrante e recolheu a arma do crime, encontrada ao lado do cadáver.

O irmão, Ronaldo Oliveira, acompanhou os policiais e depôs na delegacia seccional de Icoaraci. Depois de concluir suas declarações, pediu para falar com Oscar, que fora recolhido a uma cela trajando apenas uma sunga. Quando os policiais foram à cela, já o encontraram morto. Ele se enforcara usando o tecido da sunga.

Como o jornal nada acrescenta sobre esse suicídio, no mínimo insólito, não se tem certeza de que ele se matou e como conseguiu cometer o suicídio com tão pouco recurso e de forma tão silenciosa, introduzindo um noto item aos tratados criminais.

E sem se poder penetrar no drama humano e no contexto social desse acontecimento chocante. Muito menos estabelecer um padrão de referência ou termo de comparação para que não se repita essa história de feminicídio seguido do suicídio do criminoso preso em flagrante e que se suicidou na cela onde aguardava a sua vez de depor à polícia.

Publicado em Polícia
Sábado, 05 Janeiro 2019 17:20

Diário: por que a omissão?

Quem ler o Diário do Pará de hoje não saberá que o ministro da Justiça, Sérgio Moro, ainda está analisando a solicitação do governador Helder Barbalho de mandar um contingente da Força Nacional para o Pará. Só ficou sabendo que a tropa foi enviada para o Ceará, onde a situação da segurança (ou insegurança) pública é mais grave.

Estranhamente, o jornal do qual o governador é um dos donos omitiu esse fato, destacado como manchete de primeira página por O Liberal: “Moro avalia pedido de envio da Força Nacional ao Pará”. Com a chamada: “Ministro da Justiça, Sérgio Moro, recebeu o pedido feito pelo governo do Estado no mesmo dia em que destacou 300 homens para conter uma crise interna no Ceará, mas não antecipou sua situação”.

Como explicar o fato desconcertante? Falha editorial do Diário, realçada pelo correto tratamento dado ao tema por O Liberal, que, mais uma vez “cobre” melhor as atividades do ex-inimigo do que seu próprio veículo de comunicação? Houve alguma orientação superior para que o Diário descontinuasse o acompanhamento da notícia? Mas por qual motivo?

Seria porque a intenção, por trás do imediato pedido da Força Nacional, era caracterizar o descontrole oficial sobre a criminalidade deixado por Simão Jatene (o que é verdade, mas não nas proporções catastróficas da violência desencadeada pelo crime organizado no Ceará?

Aparentemente, o governador se excedeu, qualquer que tenha sido a sua motivação. Precisa primeiro ter uma avaliação real e profunda do aparato de segurança que herdou e tentar usá-lo melhor antes de recorrer à participação federal. É a atitude mais técnica que poderia tomar, ao invés de seguir o apelo político.

Publicado em Polícia
Quarta, 02 Janeiro 2019 17:01

Até quando?

A ação durou apenas 18 minutos, no início da noite de ontem, no bairro da Cabanagem, um dos mais violentos da periferia de Belém. Ao final, cinco jovens estavam mortos. Quatro homens, todos encapuzados, saíram do carro, já atirando, atingindo três vítimas. Quem tentava fugir era perseguido. Um deles, já ferido, foi morto dentro da casa de um vizinho, onde tentou se abrigar, com muitos tiros. O mesmo procedimento se repetiu em outros dois pontos do bairro.

No total, cinco mortos por execução direta, aparentemente por milicianos, que seguem um roteiro com base em registros policiais, mas atiram aleatoriamente em quem encontram, tenha ou não antecedentes criminais. Uma típica vingança. No caso, provavelmente, relacionada à morte do cabo da Polícia Militar Davi Ortega Lira Monteiro, que aconteceu na véspera, em outro bairro, o Parque Verde.

O novo governador poderia demonstrar que os tempos são outros pedindo a formação de uma força-tarefa especial e a instruindo pessoalmente para dar início ao fim das milícias armadas da região metropolitana de Belém, no mais curto espaço de tempo.

Publicado em Polícia